Poder e Governo
Saiba quem é Jorge Messias, indicado por Lula para o STF
Mensagem ao Senado será enviada nesta terça-feira, segundo o Planalto
O Palácio do Planalto confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviará nesta terça-feira ao Senado Federal a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Apesar do anúncio feito por Lula há quatro meses, a formalização da indicação foi adiada devido a impasses com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Quem é Jorge Messias?
Jorge Messias tem trajetória marcada pela proximidade com o Partido dos Trabalhadores (PT) e com o governo federal. Alçado de pupilo da ex-presidente Dilma Rousseff a ministro de Lula, Messias destacou-se por sua lealdade ao partido, especialmente nos períodos mais adversos, e por sua atuação discreta e eficiente junto ao presidente.
Como advogado-geral da União, Messias imprimiu um perfil mais político à AGU e tornou-se figura central na articulação das principais estratégias jurídicas do governo. Ele passou a integrar o núcleo de ministros responsáveis por buscar soluções para conflitos relevantes do Executivo e consolidou-se como principal interlocutor de Lula no STF, com trânsito entre os 11 ministros da Corte.
No final de 2023, Messias teve papel fundamental na reaproximação entre Lula e Barroso, quando este assumiu a presidência do Supremo. Junto ao ministro Cristiano Zanin, trabalhou para superar divergências passadas entre o presidente e o magistrado. À frente da AGU, também estreitou relações com os ministros Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Messias chegou ao círculo mais próximo de Lula graças à ex-presidente Dilma Rousseff, ao presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). É visto por lideranças petistas como um quadro fiel, que permaneceu alinhado ao partido mesmo em momentos críticos.
Servidor público de carreira, Messias foi procurador do Banco Central e da Fazenda Nacional. Sua atuação sindical nas carreiras da AGU o levou ao Ministério da Educação, durante a gestão de Mercadante, onde exerceu o cargo de secretário de Regulação e aproximou-se de dirigentes do PT.
Durante o governo Dilma, Messias foi subchefe de Assuntos Jurídicos e atuou em um dos períodos mais delicados do PT no Planalto. Ficou nacionalmente conhecido após ter seu nome citado em uma interceptação telefônica divulgada na Operação Lava Jato, em março de 2016, numa conversa entre Lula e Dilma. Na ocasião, Dilma informou a Lula que enviaria, por meio de "Bessias", um termo de posse para que ele assinasse e assumisse o cargo de ministro da Casa Civil. A divulgação da gravação foi considerada ilegal pelo STF.
A relação entre Messias e Dilma permaneceu próxima: a ex-presidente esteve presente na posse de Messias como ministro da AGU, em 2023, e em eventos reservados à família. Em 2019, Messias trabalhou no gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA). Com a vitória de Lula em 2022, ganhou destaque ainda na transição, coordenando o grupo dedicado a Transparência, Integridade e Controle.
No atual governo, Messias mantém relações próximas com a ministra da Gestão, Esther Dweck, e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira. Entre seus principais aliados estão os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).
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