Poder e Governo

Lula utiliza reunião ministerial para alinhar discurso de campanha e encerrar especulações sobre vice

Sem marca forte junto à população, presidente terá como foco comparação com a gestão de Bolsonaro

Agência O Globo - 31/03/2026
Lula utiliza reunião ministerial para alinhar discurso de campanha e encerrar especulações sobre vice
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou uma reunião ministerial nesta terça-feira para ensaiar o discurso que pretende adotar na campanha eleitoral, além de pôr fim às especulações em torno da composição de sua chapa para outubro.

Diante da ausência de uma marca clara de sua gestão reconhecida pela população, Lula e sua equipe planejaram centrar a campanha na comparação direta entre seu governo e o de Jair Bolsonaro, pai do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário nas urnas.

Com uma desaprovação de 51%, segundo pesquisa Quaest divulgada em março, a estratégia do presidente é convencer os eleitores de que o país está melhor agora do que há quatro anos.

Durante o encontro, Lula repetiu diversas vezes esse argumento. Em um momento de franqueza, admitido não ter conseguido levar o Brasil a uma “situação esplendorosa que todos nós desejamos”, mas ressaltou que o país está “muito melhor do que encontramos, infinitamente melhor”.

O presidente também orientou os ministros a deixarem o governo para disputar eleições e propagarem esse discurso em seus estados.

Ao confirmar a manutenção de Geraldo Alckmin como vice, Lula buscou iniciar o novo período de pré-campanha sem especulações sobre a composição da chapa. Segundo aliados, o presidente vinha mantendo o cenário em aberto para tentar atrair partidos de centro e centro-direita para sua aliança.

Sem perspectivas concretas de contar com MDB, PSD ou União Brasil na chapa, Lula evitou gerar desconforto com o PSB, partido de Alckmin e provavelmente principal parceiro do PT na eleição. Dessa forma, sinalizou que a aliança deve se restringir ao campo da esquerda, como ocorreu em 2022.

Com adversários como Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado (PSD) prometendo anistiar condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, Lula pretende usar a continuidade da parceria com o ex-tucano para retomar o discurso de defesa da democracia, adotado há quatro anos.