Poder e Governo

Promessa de anistia a Bolsonaro feita por Caiado incomoda campanha de Flávio

Sinalização feita na largada é vista no PL como movimento para avançar sobre eleitorado conservador

Agência O Globo - 30/03/2026
Promessa de anistia a Bolsonaro feita por Caiado incomoda campanha de Flávio
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução / Instagram

A promessa de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, feita pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Planalto, causou desconforto na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Aliados do senador avaliam que a iniciativa pode impactar diretamente sua base eleitoral.

Segundo interlocutores, ao adotar uma das principais bandeiras do bolsonarismo já no início da campanha, Caiado demonstra intenção de dialogar com o eleitorado fiel a Bolsonaro, mesmo buscando se apresentar como uma alternativa mais ampla dentro da direita.

Integrantes do PL afirmam que a defesa da anistia foi um gesto calculado para atrair esse segmento, em um momento em que Flávio tenta ampliar sua pré-campanha para além do núcleo ideológico. A avaliação é que a movimentação "puxa o debate" para temas de maior potencial de mobilização entre conservadores.

O entendimento predominante no partido é que o impacto inicial da entrada de Caiado deve ser mais sentido no campo conservador do que entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dirigentes avaliam que, ao combinar críticas ao governo e acenos a pautas caras à direita, Caiado mira diretamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Ainda assim, aliados ponderam que a movimentação não deve alterar de forma estrutural o cenário eleitoral, mas pode provocar algum efeito no primeiro turno, retirando parte do eleitorado de Flávio.

Apesar do incômodo, a orientação entre aliados é manter a estratégia do senador, evitando uma disputa direta de narrativas neste momento e priorizando a construção de uma agenda econômica e de alianças políticas.

Linha acessória

Mesmo com os acenos ao eleitorado mais alinhado ao bolsonarismo, uma ala da campanha avalia que Caiado deve assumir o confronto mais direto com o governo ao longo da pré-campanha, adotando um discurso mais agressivo e centrado em críticas a Lula. Nesse cenário, o governador tende a ocupar a linha de ataque dentro do campo da direita.

Segundo essa leitura, Caiado pode atuar como uma espécie de linha acessória na disputa, concentrando o embate ideológico e abrindo espaço para que Flávio Bolsonaro mantenha uma estratégia mais moderada, sem antecipar confrontos mais duros.

“Eu preferia que ele estivesse com o Flávio, mas o Caiado é de direita, sabe se posicionar. Vai doer no Lula”, afirmou a deputada Bia Kicis (PL-DF).

Já o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), defende convergência antecipada: “Ninguém precisa bater em Lula. Lula é um produto vencido. Caiado deveria apoiar Flávio no primeiro turno.”