Poder e Governo
ACM Neto define chapa com ex-ministro de Bolsonaro e ex-aliado do PT para o Senado na Bahia
João Roma e Ângelo Coronel enfrentam Jaques Wagner e Rui Costa na disputa pelas vagas baianas no Senado
O pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), confirmou a formação de sua chapa para as eleições de 2026. O ex-prefeito de Salvador escolheu o ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, João Roma (PL), e o senador Ângelo Coronel (sem partido), ex-integrante da base do PT, como candidatos ao Senado. A vaga de vice-governador ficou com Zé Cocá (PP), ex-prefeito de Jequié. O lançamento oficial da pré-candidatura ocorrerá nesta segunda-feira, em evento em Feira de Santana.
Rompimento com uma base petista
A decisão do PT de lançar Jaques Wagner, ministro-chefe da Casa Civil, e Rui Costa, líder do governo no Senado, consolidou a saída de Ângelo Coronel da base governista. Coronel deixou o PSD em fevereiro, após perder espaço na composição da chapa majoritária de Jerônimo para 2026. Ele tentou reverter a situação em reuniões com Otto Alencar, presidente estadual do PSD, e Gilberto Kassab, presidente nacional do partido, mas sem sucesso.
Alianças e articulações nacionais
João Roma, presidente estadual do PL e ex-ministro de Bolsonaro, fortalece o palanque de ACM Neto e abre possibilidade de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto na Bahia. Flávio tem enfrentado dificuldades para formar alianças no Nordeste e manifestou interesse em compor com ACM Neto, segundas notas de reuniões recentes na sede do partido. Até o momento, não há acordo formal, mas aliados de Flávio prevêem um encontro com ACM Neto nos próximos 15 dias.
O apoio de ACM Neto na corrida presidencial permanece indefinido. Ele já declarou apoio a Ronaldo Caiado quando o governador de Goiás integrou a União Brasil, mas, com a ida de Caiado para o PSD, novas negociações estão em andamento.
Imbróglio do caso Master
Recentemente, tanto ACM Neto quanto Jaques Wagner tiveram seus nomes ligados ao caso Master. No dia 11, o jornal O Globo revelou, com base no relatório do Coaf, que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag, entre março de 2023 e maio de 2024, após as eleições de 2022. ACM Neto afirmou que os valores se referem a serviços de consultoria e se colocam à disposição da Justiça.
No dia 18, o portal Metrópoles informou que a nora de Jaques Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master, pagos à empresa BK Financeira, da qual Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do senador, é sócia. Wagner declarou não ter conhecimento de investigação e negou qualquer participação em intermediações ou negociações.
No caso do PT, destaca-se ainda a relação do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro (dono do Master), com figuras do partido, como Rui Costa. Quando governador, Costa privatizou a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), dona da Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Lima. Lima deixou o Master em 2023, levando a Credcesta, cartão consignado para servidores, ativo incluído na privatização. Rui Costa defendeu, em fevereiro, que a operação do cartão foi fundamental para viabilizar o negócio.
Diante das últimas revelações, os aliados de Jaques Wagner e ACM Neto decidiram não explorar politicamente o caso Master, firmando um pacto de não agressão sobre o tema.
Procurados, ACM Neto e Jaques Wagner não se manifestaram sobre o acordo.
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