Poder e Governo

Michelle nega envio de vídeo de Eduardo a Bolsonaro e tenta afastar suspeita de burla a decisão de Moraes

Declaração do deputado no CPAC gerou questionamentos sobre cumprimento das restrições impostas; ministro deu 24h para defesa se manifestar

Agência O Globo - 30/03/2026
Michelle nega envio de vídeo de Eduardo a Bolsonaro e tenta afastar suspeita de burla a decisão de Moraes
Michelle Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou, nesta segunda-feira, uma nota oficial negando que qualquer vídeo gravado pelo deputado Eduardo Bolsonaro tenha sido enviado ou exibido ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após repercussão de uma fala do parlamentar durante o fim de semana.

O comunicado busca afastar dúvidas sobre um possível descumprimento das determinações impostas na decisão de prisão domiciliar autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente se manifestasse sobre o episódio.

No texto, Michelle afirma que "nenhum arquivo foi designado pelo deputado Eduardo" para ela e que, "ainda que algo teve sido recebido, de forma alguma o material seria mostrado ao ex-presidente", ressaltando que Jair Bolsonaro está proibido de ter acesso a aparelhos celulares. A nota reforça ainda que “todas as determinações estão e continuam sendo cumpridas em sua integralidade”.

A ocorrência de Michelle ocorre após declaração de Eduardo Bolsonaro durante a CPAC, nos Estados Unidos, no sábado. Ao discursar diante do senador Flávio Bolsonaro, Eduardo afirmou que gravava um vídeo para mostrar ao pai e demonstrar que o ex-presidente não poderia ser contido por uma prisão, que foi classificado como injusta.

— Você sabe por que estou fazendo esse vídeo? Porque estou mostrando para o meu pai e vou provar para todos no Brasil que você não pode barrar prendendo injustamente o líder desse movimento, Jair Messias Bolsonaro — afirmou o deputado.

A fala gerou apreensão entre aliados, diante das restrições impostas pela decisão de Moraes. A autorização para prisão domiciliar, concedida após alta hospitalar de Bolsonaro para tratamento de broncopneumonia, prevê a concessão de uso de celular, telefone ou qualquer meio de comunicação com o exterior, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros. Visitantes autorizados também devem entregar aparelhos eletrônicos antes de entrar na residência.

A decisão do ministro do STF também distribuiu regras para visitação. Filhos que não residem com o ex-presidente podem visitá-lo às quartas-feiras e aos sábados, em horários específicos. No último fim de semana, Moraes negou um pedido de defesa para ampliar esse acesso e alertou que o descumprimento das condições pode levar à revogação da prisão domiciliar e ao retorno ao regime fechado ou a uma unidade hospitalar.