Poder e Governo

Zema mantém discurso de candidatura própria, mas gestos políticos sugerem proximidade com Flávio Bolsonaro

Participação em ato na Paulista, críticas ao STF e diálogo com bolsonaristas alimentam especulações sobre possível composição

Agência O Globo - 11/03/2026
Zema mantém discurso de candidatura própria, mas gestos políticos sugerem proximidade com Flávio Bolsonaro
Zema mantém discurso de candidatura própria, mas gestos políticos sugerem proximidade com Flávio Bolsonaro - Foto: Arquivo/Câmara dos Deputados

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reafirma publicamente sua intenção de disputar a Presidência da República em outubro deste ano. Entretanto, nos bastidores da direita, aliados interpretam recentes gestos políticos como sinais de possível aproximação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa movimentação intensifica especulações sobre a possibilidade de Zema compor uma chapa presidencial liderada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Procurado, Zema não se manifestou.

A leitura ganhou força após agendas e posicionamentos alinhados às pautas centrais do bolsonarismo. Entre os episódios relatados está a participação do governador em ato promovido por apoiadores de Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, há duas semanas.

No evento, Zema dividiu espaço com lideranças conservadoras e reforçou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), atitude vista pelos aliados de Flávio como sinal de aproximação com a base bolsonarista.

Outro movimento relevante ocorreu em Brasília, quando Zema, ao lado dos parlamentares do Novo, protocolou um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A iniciativa, apresentada no Senado, foi uma consequência das decisões do magistrado consideradas excessivas por setores da direita — uma das principais bandeiras da base bolsonarista no Congresso.

Integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro avaliam que os movimentos do governador mineiro não passam despercebidos. Aliados registraram em Zema um nome com potencial para integrar uma eventual chapa, sobretudo pelo peso eleitoral de Minas Gerais — segunda maior coleção eleitoral do país — e pelo perfil liberal na economia, capaz de ampliar o alcance da candidatura.

Interlocutores vindos ao senador afirmam que Zema evita confrontar diretamente o projeto do PL e mantém canais abertos com lideranças bolsonaristas. Para esse grupo, o comportamento indica que o governador busca preservar espaço em diferentes cenários do campo conservador, especialmente diante da fragmentação da direita.

Apesar disso, Zema segue defendendo publicamente uma candidatura própria. Em entrevistas recentes, reafirmou o projeto do Novo para o Palácio do Planalto e descartou integrar uma chapa como vice.

Mesmo assim, integrantes da campanha de Zema admitiram que conversas sobre cenários eleitorais ocorreram entre lideranças da direita. A maior resistência a uma composição com o PL do próprio Partido Novo, cujos dirigentes defendem a manutenção da candidatura própria.

O vice-presidente do Novo em Minas Gerais, Fred Papatella, argumenta que a participação em manifestações críticas ao STF não deve ser interpretada como gesto eleitoral.

— Enquadrar a indignação com o STF como bolsonarista é reduzir muito. O ato foi uma questão partidária, muito além de qualquer estratégia eleitoral. Trata-se de uma indignação como sociedade. Não tem nada a ver com campanha — afirmou.

No PL, a discussão sobre a vice está em estágio inicial. Integrantes da pré-campanha de Flávio avaliaram diferentes perfis e afirmaram que a definição dependerá do desenho final da coalizão presidencial.

Uma ala defende que a vaga de vice seja ocupada por uma mulher nordestina, estratégia vista como forma de ampliar a presença do bolsonarismo em uma região de maior resistência eleitoral. O nome mais citado é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e liderança do agronegócio no Congresso.

Aliados de Flávio Bolsonaro evitam definições antecipadas. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que a escolha ainda está distante.

— Zema é um bom nome, mas temos tempo para escolher vice — disse.