Poder e Governo
Alcolumbre e Lula devem se reunir nos próximos dias, apontam aliados
Presidentes da República e do Senado já conversaram por telefone e articulam encontro presencial
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira que ainda não se encontrou pessoalmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que uma reunião entre ambos é esperada para os próximos dias. O movimento ocorre em meio à pressão sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, alvo de quebra de sigilo pela CPI do INSS, e à mobilização de parte da oposição para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master.
Questionado por jornalistas se já havia conversado presencialmente com Lula, Alcolumbre foi direto:
— Ainda não.
Aliados relatam que Lula e Alcolumbre já conversaram por telefone na última quinta-feira, em um gesto visto como a primeira tentativa de distensionar a relação após a escalada de tensão entre Planalto e Congresso.
A ligação ocorreu após declarações públicas do presidente do Senado sobre a relação entre os Poderes e abriu caminho para a possibilidade de uma conversa presencial.
Na quarta-feira, Alcolumbre afirmou que espera ser procurado por Lula caso haja interesse em dialogar, destacando a importância de manter um canal institucional aberto.
— A gente espera ser chamado por todas as pessoas por quem temos respeito e consideração. E, naturalmente, da mesma maneira que, em outras oportunidades, quando desejei conversar pessoalmente com o presidente da República, eu o procurei. É legítimo, inclusive, que, se ele desejar falar comigo, ele também me procure, para que possamos continuar numa relação de pacificação e de harmonia entre os Poderes. É isso que eu entendo da democracia — declarou.
O caso envolvendo Lulinha provocou desconforto entre Congresso e governo. Parlamentares da base governista apresentaram recurso pedindo a anulação da votação da quebra de sigilo pela CPI, alegando erro na contagem dos votos, mas Alcolumbre optou por não intervir na decisão da comissão.
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou então a suspensão da quebra, em decisão favorável a Lulinha.
Além de buscar reduzir a tensão política, interlocutores afirmam que o aguardado encontro entre Lula e Alcolumbre também deve tratar de temas pendentes entre Planalto e Senado, como a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.
A sabatina e a votação do nome indicado para a Corte dependem do Senado, presidido por Alcolumbre. Nos bastidores, aliados do governo avaliam que a definição do calendário para análise da indicação também passa por uma recomposição política entre o Palácio do Planalto e o comando da Casa.
Como noticiado pelo jornal O Globo, Alcolumbre desejava que o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), fosse indicado para a vaga.
Já se passaram quatro meses desde que o ex-ministro Luís Roberto Barroso deixou a Corte e, até o momento, o governo ainda não enviou a mensagem oficial com a indicação de Messias.
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