Poder e Governo
André Mendonça rejeita pedido de Rebeca Ramagem contra bloqueio de contas no STF
Ministro afirma que mandado de segurança não pode ser usado para contestar decisão judicial de colega da Corte, no caso medida determinada por Alexandre de Moraes
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento ao mandado de segurança apresentado pela procuradora de Roraima, Rebeca Ramagem — esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem —, que buscava suspender o bloqueio de suas contas bancárias, medida determinada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na decisão, Mendonça enfatizou que o mandado de segurança não é o instrumento adequado para questionar decisões judiciais tomadas por outros ministros do STF. Segundo o ministro, nesses casos, a contestação deve ocorrer por meio dos recursos previstos no próprio processo.
“Aplica-se, ao caso, a jurisprudência consagrada por este Supremo Tribunal Federal, no sentido do não cabimento do mandado de segurança como substitutivo recursal”, afirmou Mendonça na decisão.
O pedido foi protocolado por Rebeca no fim do ano passado, após ela relatar ter sido surpreendida com o bloqueio de todas as suas contas bancárias, inclusive aquela destinada ao recebimento do salário como procuradora do Estado de Roraima. A defesa alegou que não houve notificação prévia da medida e que ela não teve acesso aos autos do processo que determinou a restrição financeira.
No mandado de segurança, os advogados argumentaram que o bloqueio foi decidido no âmbito de uma petição sob relatoria de Moraes e que a medida violaria o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Também solicitaram o desbloqueio imediato das contas, alegando que a restrição compromete o sustento da procuradora e de suas duas filhas menores.
Ao analisar o caso, Mendonça destacou que o ato contestado possui natureza jurisdicional, pois foi proferido por um ministro do STF no âmbito de processo penal. De acordo com ele, o Regimento Interno da Corte prevê a possibilidade de agravo regimental contra decisões de relatores, tornando inadequado o uso do mandado de segurança como forma de contestação.
O ministro ressaltou ainda que a jurisprudência do STF é pacífica ao considerar inadmissível o uso do mandado de segurança contra atos judiciais de ministros ou de órgãos colegiados do tribunal.
Alexandre Ramagem, marido de Rebeca, foi condenado a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ele deixou o Brasil em setembro do ano passado e atualmente está nos Estados Unidos.
A procuradora também está no exterior desde novembro. Em declarações recentes, ela afirmou ser alvo de “perseguição política” após ter sido intimada pelo governo de Roraima a retomar o trabalho presencial, embora atue em regime de teletrabalho há anos.
Além da disputa administrativa com o estado, Rebeca tenta reverter no STF o bloqueio de suas contas bancárias, medida que, segundo sua defesa, a impediu de receber salário e causou dificuldades financeiras à família.
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