Poder e Governo
Presidente da CPI do INSS buscará Mendonça para liberar Vorcaro a depor
Depoimentos de Leila Pereira, do Palmeiras, e de outros convocados pela comissão são cancelados
O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira que irá solicitar pessoalmente ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liberação de Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília, para comparecer à comissão e prestar esclarecimentos sobre sua atuação à frente do banco Master.
Mais cedo, os depoimentos previstos para a tarde desta terça-feira foram cancelados. Apesar disso, Viana decidiu manter a sessão para que os parlamentares possam se manifestar diante do agravamento do escândalo e da revelação de troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, conforme divulgado por O GLOBO.
Segundo Viana, Vorcaro não pode ser considerado investigado na CPI, pois o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) ainda não foi concluído. Esse tem sido o argumento utilizado por Mendonça para não obrigar Vorcaro a depor na comissão, diferentemente de testemunhas dispostas a colaborar para o esclarecimento dos fatos.
Entre os depoimentos aguardados para esta terça-feira estava o de Leila Pereira, CEO da Crefisa e presidente do Palmeiras. De acordo com Viana, ela solicitou o adiamento do comparecimento devido a compromissos relacionados à vitória do clube no último domingo.
Nesta segunda-feira, a defesa de Leila informou que ela não compareceria, amparada por decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que suspendeu a votação em bloco de 87 requerimentos e todas as convocações aprovadas pela CPI, incluindo a quebra de sigilo do filho do presidente Lula, Fábio Luís da Silva.
Viana afirmou que o depoimento de Leila está mantido para a próxima segunda-feira e manifestou confiança de que o plenário do STF reverta a decisão de Dino.
— Não é possível que o Congresso Nacional seja afrontado da maneira como está sendo por decisões monocráticas de ministros do Supremo, decisões, na minha opinião, políticas, sem embasamento constitucional e que desrespeitam o trabalho das comissões parlamentares. Precisamos reagir — declarou Viana.
O depoimento do CEO do C6 Bank, Artur Brotto Azevedo, também foi cancelado com base no mesmo argumento apresentado por Leila Pereira. Já o depoimento do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz, foi adiado para 23 de março.
Viana reconheceu que a CPI enfrenta seu momento mais difícil, pois as investigações apontam o envolvimento de “pessoas importantes” que utilizam artifícios para evitar o comparecimento, o que, segundo ele, prejudica o andamento dos trabalhos da comissão.
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