Poder e Governo
Inelegível, Pablo Marçal se filia ao União Brasil, que mira candidatura a deputado federal ou senador
União Brasil aposta no influenciador como puxador de votos, mas candidatura depende de reversão de inelegibilidade de oito anos
Pablo Marçal, influenciador digital, oficializou sua filiação ao União Brasil nesta sexta-feira (6), durante evento em São Paulo. Ao lado do presidente nacional do partido, Antonio Rueda, e do presidente do PP, Ciro Nogueira, Marçal afirmou: "Só não vou dar certo no partido se esses dois não quiserem".
— Este ano será marcado pela entrada de pessoas que não dependem da política e não precisam dela. Quero deixar claro: este é meu último partido. Se esses dois disserem 'você vai ser gandula', eu serei gandula. Vou ajudar a eleger o maior time — declarou Marçal durante o evento.
Campanha de 2024
O União Brasil pretende lançar Marçal como candidato a deputado federal ou senador, apostando em seu potencial como puxador de votos em São Paulo. No entanto, sua candidatura depende da reversão de uma inelegibilidade de oito anos.
Em dezembro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve a condenação de Marçal por uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2024.
A condenação está relacionada à realização de um “concurso de cortes”, no qual colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha, com promessa de remuneração e distribuição de brindes. Em outro processo, foi constatado que a maquiadora da esposa de Marçal financiou anúncios no Google que direcionavam usuários ao site oficial do candidato.
Na mesma ocasião, o TRE-SP confirmou uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial durante o período eleitoral. Marçal recorreu e aguarda julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Laudo falso contra Boulos
Outra ação em tramitação no tribunal eleitoral envolve a divulgação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).
Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal publicou um documento falso de internação por uso de drogas, cuja falsidade foi atestada pelas Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a remoção do conteúdo das redes sociais. Marçal terminou a disputa em terceiro lugar, enquanto Boulos avançou ao segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).
Para suspender o andamento da ação por dois anos, Marçal firmou acordo com a Promotoria Eleitoral do Ministério Público, comprometendo-se a comparecer à Justiça a cada três meses, não sair de sua cidade sem autorização prévia e evitar bares, boates e casas de prostituição. No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado.
Marçal ainda responde a outras ações que podem resultar em novas condenações eleitorais e declarações de inelegibilidade. Uma delas refere-se à promessa de apoio a candidatos a vereador que doassem R$ 5 mil para sua campanha. Nesse caso, ele foi condenado em primeira instância, mas obteve vitória no TRE-SP, que entendeu que, embora a conduta tenha sido ilícita, não há provas de impacto no resultado do pleito. A coligação de Boulos recorreu ao TSE, e o julgamento está pendente.
Outro processo diz respeito a sorteios de bonés e dinheiro em troca de divulgação da candidatura. Marçal foi condenado em primeira instância em julho de 2025, e o TRE-SP ainda não julgou o caso.
Mais lidas
-
1LUTO NA TELEDRAMATURGIA
Morre Dennis Carvalho, ator e diretor de clássicos como “Vale Tudo” e “Fera Ferida”, aos 78 anos
-
2TEMPO INSTÁVEL
Chuva forte alaga Paraty, deixa moradores ilhados e pertences submersos; veja vídeo
-
3MEMÓRIA
Jaqueta de Dinho, dos Mamonas Assassinas, é encontrada intacta em exumação
-
4DEFESA ESTRATÉGICA
Estados Unidos testam míssil intercontinental Minuteman III com sucesso
-
5ESTADUAL
CRB e ASA voltam a decidir o Alagoano pela quinta vez consecutiva; FAF define datas e locais