Poder e Governo

Gleisi Hoffmann acusa presidente da CPMI do INSS de golpe em votação que aprovou quebra de sigilo de Lulinha

Líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que vai recorrer ao presidente do Senado para a anulação da sessão

Agência O Globo - 26/02/2026
Gleisi Hoffmann acusa presidente da CPMI do INSS de golpe em votação que aprovou quebra de sigilo de Lulinha
Gleisi Hoffmann - Foto: Reprodução / Instagram

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), acusou na tarde desta quinta-feira o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), de ter aplicado um golpe durante a votação que resultou na quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A parlamentar defendeu as ações da base aliada e confirmou que o governo irá recorrer da decisão.

— Foi golpe do presidente da CPMI. Temos maioria. Tínhamos ganhado a votação anterior. Ele não contou os votos. Fez votação simbólica e tratou de anunciar o resultado. Vamos recorrer disso — afirmou a ministra ao SBTNews.

A sessão desta quinta-feira aprovou um pacote de requerimentos, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha e de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. Também foram aprovados pedidos de prisão, novas convocações e solicitações de informações a órgãos públicos e empresas investigadas.

O pedido de quebra de sigilo do filho do presidente foi fundamentado na suspeita de atuação como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores das fraudes no instituto.

Como foi feita a contagem

Durante a votação, Viana determinou que os parlamentares contrários ao pacote de requerimentos deveriam se levantar. Ele contou sete parlamentares de um quórum de 31 e anunciou a aprovação dos itens da pauta.

A decisão provocou uma confusão generalizada entre os membros da comissão, com discussões acaloradas e até empurrões, devido à ausência de contagem individual dos votos.

Os deputados Rogério Correia (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Alencar Santana (PT-SP) foram alguns dos que se dirigiram à mesa da presidência para exigir a verificação dos votos.

Após a retomada da reunião, Paulo Pimenta pediu a anulação da votação "por erro material da contagem" e afirmou que, caso não fosse atendido, recorreria ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para reverter a decisão. O pedido, no entanto, foi rejeitado por Viana, que alegou que a votação simbólica está prevista no regimento interno da Casa.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também anunciou que irá recorrer a Alcolumbre para pedir a anulação da sessão, alegando irregularidades na aprovação dos requerimentos. Além disso, parlamentares do PT informaram que irão apresentar uma representação no Conselho de Ética contra o senador Carlos Viana.