Poder e Governo
Rui Costa justifica venda da Ebal e inclusão de cartão consignado em leilão
Leilão foi realizado em 2018, quando o hoje ministro da Casa Civil de Lula era governador da Bahia
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, defendeu nesta sexta-feira sua decisão de privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio do grupo Master, atualmente extinto.
Lima deixou o grupo Master em 2023 e levou consigo um dos ativos incluídos no leilão promovido pela gestão de Rui Costa: o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores e aposentados.
À época governador da Bahia, Rui Costa incluiu o Credcesta — que opera com exclusividade o cartão de crédito consignado para servidores estaduais — no terceiro leilão da Ebal, após duas tentativas frustradas de venda da empresa à iniciativa privada. Segundo ele, a inclusão do cartão tornou a oferta mais atrativa.
“Eu vendi um supermercado falido, vocês acompanharam. Foram três leilões, só consegui vender na terceira vez, um supermercado que dava quase R$ 200 milhões de prejuízo todo ano, e o povo das baixadas, da periferia e da favela é que pagava esse prejuízo porque quando o Estado paga, não é o governo, não é do salário do governador, quem paga é o povo. Eu livrei o povo da Bahia de um prejuízo de quase R$ 200 milhões por ano, e vendi o supermercado com tudo o que ele tinha”, afirmou Rui Costa ao ser questionado sobre o tema em Salvador, durante a abertura do Carnaval da capital baiana.
O ministro argumentou que a operação do cartão de crédito consignado foi fundamental para viabilizar o negócio.
“Se não (estivesse inclusa a operação do cartão), nem tinha vendido. Se alguém (Augusto Lima) pagou uma merreca de R$ 15 milhões, é porque tinha o cartão (Credcesta). Se não tivesse o cartão, nem isso tinha pago, porque ninguém queria pagar. Tanto é que só conseguimos vender na terceira licitação”, reforçou Costa.
Rui Costa também foi questionado sobre o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria dos processos que envolvem o grupo Master. Toffoli deixou o caso a pedido, após pressão crescente diante da revelação de negócios com um fundo ligado ao Master e após a Polícia Federal (PF) encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório apontando suspeição do ministro.
“Não gosto de fazer pré-julgamento de ninguém, acho que é leviano. A Polícia Federal tem liberdade, o Ministério Público tem liberdade para avaliar e, quando as provas aparecerem, as pessoas vão ter o direito constitucional e legal de se defenderem e vamos saber o que é verdade, o que é falácia, o que é especulação”, declarou o ministro.
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