Poder e Governo

Prefeito de Chapecó aposta em dissidências no PL para construir candidatura ao governo de SC

João Rodrigues busca aproximação com MDB e União Progressista, mas mantém diálogo aberto com Carlos Bolsonaro

Agência O Globo - 12/02/2026
Prefeito de Chapecó aposta em dissidências no PL para construir candidatura ao governo de SC
Prefeito de Chapecó aposta em dissidências no PL para construir candidatura ao governo de SC - Foto: Reprodução / Redes Sociais

Em meio às tensões provocadas pelas indicações ao Senado no campo bolsonarista em Santa Catarina, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), intensifica articulações para viabilizar sua candidatura ao governo do estado. Para isso, Rodrigues tem buscado diálogo com grupos dissidentes da base do governador Jorginho Mello (PL), que também trabalha para fechar sua chapa majoritária.

Entre as legendas consideradas por Rodrigues para uma possível aliança está o MDB. No mês passado, o partido anunciou a saída do governo estadual após ser preterido na escolha do vice, cargo que ficará com Adriano Silva (Novo), prefeito de Joinville. Desde então, lideranças emedebistas avaliam apoiar Rodrigues, que se apresenta como representante da "direita real". O prefeito também tenta costurar apoio com o União Brasil, federado nacionalmente ao Progressistas desde o ano passado. Em Santa Catarina, no entanto, o PP estará na chapa de Jorginho, representado pelo senador Espiridião Amin, que buscará a reeleição.

Já o governador Jorginho Mello tem manifestado preferência por indicações do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e da deputada federal Carol de Toni (PL-SC), que também conta com o aval da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Na última semana, porém, Carol de Toni comunicou ao presidente nacional do partido que deixará a sigla por não encontrar espaço para disputar o Senado. Ela afirma ter recebido convites de outras seis legendas, incluindo o Novo, que reforçou o convite nos últimos dias.

Além do MDB e da federação União Progressista, Rodrigues também mantém portas abertas para Carlos Bolsonaro. Ao jornal O Globo, relatou ter recebido uma ligação do ex-vereador no último sábado, na qual foi questionado se haveria espaço para ele na coligação. Procurado, Carlos Bolsonaro não se manifestou.

— Ele [Carlos] perguntou se eu deixaria espaço para ele na chapa, e eu respondi que claro que o receberia, até em respeito ao pai dele, pelos muitos anos em que convivemos na Câmara enquanto deputados, apesar de não sermos do mesmo partido — afirmou Rodrigues. — Antes, nunca tínhamos nos falado e não existia uma relação, mas agora temos uma baseada no respeito.

No passado, Rodrigues integrou o grupo de políticos catarinenses contrários à candidatura de Carlos Bolsonaro pelo estado. Também criticaram a candidatura prefeitos de Camboriú e Joinville, além da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que defende Carol de Toni para o Senado.