Poder e Governo
Presidente do PT afasta pressão para candidaturas de Alckmin e Haddad em SP: "Ninguém é candidato se não tiver vontade"
Setores do partido defendem que ministro da Fazenda e vice-presidente disputem governo ou Senado paulista
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira que respeitará a decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do vice-presidente Geraldo Alckmin caso optem por não concorrer a cargos em São Paulo nas próximas eleições. Setores do partido e do governo têm incentivado ambos a disputar o governo ou o Senado, como estratégia para fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado.
Sobre Alckmin, Edinho destacou que ele terá liberdade para escolher seu futuro político. O vice-presidente já manifestou interesse em permanecer no cargo, e o PSB — partido de Alckmin — sinalizou que não abrirá mão de integrar a chapa presidencial. O presidente do PSB, prefeito do Recife João Campos, deve se reunir com Lula para discutir o tema.
“O vice-presidente Geraldo Alckmin é muito respeitado por todos nós. Em Salvador, durante evento do PT, ele só não foi mais aplaudido que o presidente Lula. Foi uma manifestação de carinho do partido. E eu tenho dito, e vou repetir, o vice-presidente Geraldo Alckmin disputará o cargo que ele quiser nas eleições de 2026”, declarou Edinho após evento na Câmara.
Na semana passada, Lula declarou em entrevista ao UOL que tanto Alckmin quanto Haddad ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), podem ser candidatos ao governo paulista. O presidente elevou a pressão ao afirmar que ambos “têm um papel a cumprir”.
Além de fortalecer a base de Lula em São Paulo, uma eventual saída de Alckmin da vice-presidência abriria espaço para novas composições partidárias.
Questionado sobre a possibilidade de o cargo de vice facilitar uma aliança com o MDB, Edinho respondeu que mantém diálogo com o partido e outros aliados para garantir apoio formal à reeleição de Lula, mas evitou tratar diretamente sobre a vice-presidência.
O dirigente petista também falou sobre a possibilidade de Haddad ser candidato. “Não tenho dúvida de que o ministro Fernando Haddad é hoje o principal ministro do governo. Ele é uma liderança capaz de disputar qualquer cargo eletivo no Brasil. Só que ele é de São Paulo, então, falando do estado, seu nome surge com muita força, mas ninguém é candidato se não tiver vontade de ser”, afirmou.
Edinho ressaltou que o partido busca dialogar com Haddad para que ele avalie as opções de candidatura, mas garantiu que qualquer decisão será respeitada. O ministro já declarou publicamente que não pretende disputar as eleições deste ano.
A disputa em São Paulo é considerada de alto risco devido à força dos candidatos de oposição ao governo federal. Ainda assim, petistas enxergam em Haddad um papel estratégico para garantir força eleitoral ao PT e ao governo, mesmo sem vitória.
“Estamos dialogando muito com Fernando Haddad para que ele possa avaliar o que representam as eleições de 2026 e faça a escolha que considerar melhor, mas vamos respeitá-la, pois ele é uma liderança fundamental para a construção do nosso projeto de Brasil”, concluiu Edinho.
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