Poder e Governo
'Ninguém é candidato contra a vontade', diz presidente do PT sobre papel eleitoral de Alckmin e Haddad
Edinho Silva participou de almoço com empresários de São Paulo, nesta segunda-feira
Em meio a especulações sobre a saída do vice-presidente (PSB) da chapa presidencial para acomodar outro partido, o presidente do PT, , reforçou nesta segunda-feira, 9, "será candidato àquilo que ele quiser", mas ponderou que há "muito tempo pela frente ainda" para definir qual será o papel eleitoral tanto dele quanto do ministro da Fazenda, , que tem sido pressionado por lideranças do partido a disputar o governo de São Paulo.
— Alckmin é uma pessoa muito querida por todos nós. Eu, pessoalmente, sou admirador dele enquanto pessoa, do trabalho que ele tem feito. E eu tenho dito que ele será candidato àquilo que ele quiser. Então, esse diálogo tem sido feito com muita tranquilidade. Claro, nós temos muito tempo pela frente ainda, razoavelmente muito tempo, e nós vamos construir essa posição sempre com respeito às nossas lideranças — declarou ele.
Ele também descartou qualquer crise envolvendo Haddad e e desconversou sobre a expectativa de o presidente convencê-lo a assumir o protagonismo da chapa paulista, posição a que ele resiste internamente.
— Na minha avaliação, o ministro Fernando Haddad é hoje o principal ministro do governo do presidente Lula. Ele é uma das principais lideranças da política brasileira. Foi o último candidato do PT a disputar as eleições aqui em São Paulo, então, claro que ele é sempre lembrado. Mas, tudo isso também tem que ser feito com muito diálogo. Ninguém é candidato contra a vontade, esse cenário não existe. As pessoas são candidatas quando elas querem muito disputar um projeto político.
Segundo o dirigente do partido, a principal discussão de momento é quando Haddad deve se descompatibilizar do ministério. O ministro tem defendido o afastamento como forma de colaborar na campanha de reeleição do presidente, e não para ir às urnas. Edinho alega que essa pauta envolve, por exemplo, como fica a relação com o Congresso e as matérias ainda pendentes.
A respeito do MDB, que poderia ser beneficiado com a posição de vice para consolidar apoio a Lula, Edinho afirma que há desejo por uma aliança, mas que existe uma "heterogeneidade política" relevante dentro da sigla. Em São Paulo, por exemplo, as principais figuras públicas do partido apoiam o governador (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho presidenciável, o senador (PL), do Rio de Janeiro.
— Vamos dialogar. Queremos o MDB conosco, mas também respeitamos as suas posições, que muitas vezes são norteadas pela complexidade regional que o MDB tem — disse.
Polarização impede 'reflexão racional' sobre o governo Lula, diz Edinho
O presidente nacional do PT participou de almoço com empresários do grupo Lide, em São Paulo. O discurso do dirigente teve como foco o apelo por uma reforma política e eleitoral que fortaleça o papel dos partidos e a defesa de uma oposição responsável, que não alimente radicalismos. Em contrapartida, ele ouviu questionamentos dos convidados sobre a viabilidade do projeto que acaba com a escala de trabalho 6x1 e críticas sobre o peso dos impostos.
— Estamos vendo um sentimento antissistema crescente, o descrédito na democracia representativa como instrumento de superação das contradições e dos problemas e também uma cristalização de posições. Esse sentimento de insatisfação alimenta um ambiente de polarização que impede o diálogo civilizatório. É o que vamos enfrentar nas eleições de 2026 — afirmou o dirigente.
Segundo ele, a polarização política impede uma "reflexão racional" do eleitor mesmo com entregas importantes do ponto de vista social e econômico. Desse modo, fez um apelo para que a discussão de pautas como o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), da educação integral e da segurança pública seja feita com “maturidade política”, por meio de propostas sustentáveis, e não em cima da lógica “de quem é o mais radical”.
— O governo Lula é um governo de reorganização das políticas públicas, mas, por mais que tenhamos entregas, é evidente que essa polarização política impede a reflexão racional. O Brasil continua como se estivéssemos em um grande estádio de futebol com duas torcidas tentando ver quem grita mais alto — declarou o petista.
O principal adversário do presidente à reeleição, neste momento, é Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília, condenado como líder de uma organização criminosa que conspirou contra a democracia no país. A escolha desagradou a líderes do Centrão, que preferiam um nome com rejeição mais baixa, como Tarcísio, para tentar virar o jogo no segundo turno. O ex-ministro de Bolsonaro, contudo, não deve contrariar a vontade do padrinho político.
— Acho que a gente deveria fortalecer os partidos, que é por onde o debate se dá pelos programas, e não pela posição de um indivíduo. Além do que, com o advento da internet, teremos cada vez mais a política permeada pelos influencers. O que eles pensam para saúde, educação, desenvolvimento econômico, segurança pública? Às vezes, não se tem absolutamente nada sustentável do ponto de vista político, mas ele é um grande comunicador nas mídias digitais — criticou Edinho.
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