Poder e Governo
Ministra do STJ deixa sindicância de ministro acusado de importunação sexual contra jovem
Comissão foi instaurada para apurar acusação contra Marco Buzzi; magistrado está afastado por licença médica
A ministra Isabel Gallotti se desligou da comissão de sindicância instaurada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar acusações de importunação sexual contra o ministro Marco Aurélio Buzzi. A investigação foi aberta por decisão unânime do Pleno da Corte, em sessão extraordinária.
A sindicância tem como objetivo apurar os fatos atribuídos a Buzzi, de 68 anos, acusado por uma jovem de 18 anos de tentar agarrá-la várias vezes durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano. Inicialmente, a comissão era composta pelos ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira.
Na noite de quarta-feira, Marco Buzzi passou mal e foi internado em um hospital de Brasília. Segundo nota da assessoria, o ministro sofreu forte mal-estar e permanece sob cuidados médicos. Buzzi tem histórico cardíaco, com cinco stents e um marca-passo implantados nos últimos cinco anos. Por recomendação médica, ele foi afastado do cargo por licença de saúde de dez dias, podendo esse prazo ser prorrogado.
De acordo com a denúncia, a jovem é filha de um casal de advogados amigos do magistrado e estava hospedada na casa de praia de Buzzi, no litoral catarinense. Após o episódio, a família retornou a São Paulo, onde registrou boletim de ocorrência, originando um inquérito policial. O ministro nega as acusações.
Conforme revelou o jornal O Globo, a denunciante prestou depoimento presencial à Corregedoria Nacional de Justiça, confirmando a acusação e detalhando os fatos. O depoimento durou cerca de duas horas. Pessoas próximas à investigação afirmam que a jovem relatou dificuldade em rememorar os episódios e decidiu denunciar devido à relação de confiança entre sua família e o magistrado.
O caso está sob apuração do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que informou que o procedimento tramita em sigilo para preservar a intimidade da vítima e evitar revitimização. A investigação também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado de Buzzi, e está sob relatoria do ministro Nunes Marques.
Em nota, Marco Buzzi declarou ter sido “surpreendido com o teor das insinuações” e afirmou que elas “não correspondem aos fatos”, repudiando “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
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