Poder e Governo
Eduardo Bolsonaro dá 'bronca' em aliados e cobra engajamento da direita por Flávio: 'Omissão deliberada'
Ex-deputado e senador estão em viagem internacional para impulsionar pré-candidatura à Presidência
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro cobrou engajamento de bolsonaristas e integrantes do espectro político da direita na pré-candidatura do irmão Flávio Bolsonaro à Presidência. Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro viajaram ao exterior no começo deste ano para consolidar o nome do senador como uma liderança alinhada à direita conservadora internacional e impulsioná-lo na corrida ao Planalto, em meio a atritos sobre uma possível pulverização de candidaturas da oposição em 2026.
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Pelo X, Eduardo afirmou que ele e o irmão estão "sendo recepcionados com respeito e honra por líderes das Américas e do Oriente Médio" em meio a uma pré-candidatura "para tirar o Brasil do rumo da pobreza com Lula". Ele criticou pessoas do mesmo campo político que não se alinharam à investida do clã nos últimos dois meses.
"Não estou pedindo postagens diárias nem “copiar e colar” a nossa agenda. No entanto, quem está dentro de campo, na arena política, precisa estar na mesma página. Integrar um movimento e permanecer em silêncio não é neutralidade. É omissão deliberada. Fiquem atentos: quem não ouve 'cuidado', escuta 'coitado'", escreveu o ex-deputado, que se exilou nos Estados Unidos em fevereiro.
Esta semana, Flávio voltou a defender a união da direita em torno de um projeto nacional, seja no primeiro ou no segundo turno das eleições. Em entrevista ao blogueiro Paulo Figueiredo Filho, o senador ressaltou o alinhamento do clã com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), depois um mal-estar recente gerado a partir de declarações suas sobre os planos eleitores do chefe do Executivo paulista.
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— O Tarcísio talvez seja a maior revelação política dos últimos anos. É do grupo do Bolsonaro. Saiu da costela do Bolsonaro — disse Flávio.
O senador avaliou que o pai, Jair Bolsonaro, que está preso sob acusação de tramar um golpe de Estado, "enxergou na figura do Tarcísio uma pessoa séria, gestor competente e inteligente, e que é a cara que o eleitor de São Paulo escolhe". Flávio rejeitou alegações de que a pulverização de candidaturas direitistas possa enfraquecer as chances da oposição em 2026.
— Estou feliz com o caminho que as coisas estão seguindo. Estão nos integrando. Respeito o tempo de cada um, mas sempre vou buscar unidade, seja agora, no meio da eleição ou no segundo turno, se houver — destacou.
Cotado por figuras do espectro da direita e por parte do empresariado como um adversário mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de São Paulo afirmou, na quinta-feira, após visitar o ex-presidente na prisão, que mantém um “projeto de longo prazo” no estado e que seu papel no grupo político é disputar a reeleição — também para ajudar Flávio na corrida ao Planalto.
Segundo Tarcísio, a visita teve como objetivo prestar solidariedade ao ex-presidente e levar manifestações de apoiadores. Ao ser questionado sobre 2026, o governador voltou a afastar uma candidatura presidencial e afirmou que sua prioridade é o estado.
— O meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma. A gente tem um projeto de longo prazo e quer ver esses projetos se materializando. Apoio Flávio, sem dúvidas. Como eu tenho afirmado constantemente, vamos entrar muito fortes, muito unidos, agregando mais pessoas e falando de projeto para o país — afirmou.
Tarcísio afirmou que sua atuação será em um arranjo mais amplo da direita e defendeu unidade do campo conservador.
— Eu tenho um papel importante dentro do time, que é cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente — declarou, ao mencionar que o país enfrenta, em sua avaliação, uma crise fiscal e moral.
A visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro ocorreu após o cancelamento de um primeiro encontro, na semana anterior, quando uma declaração de Flávio Bolsonaro antecipando o teor da conversa gerou mal-estar no entorno do governador. Na ocasião, o senador afirmou que Bolsonaro diria ao chefe do Executivo paulista que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo e que uma candidatura presidencial estaria “descartada” para ele.
Aliados do governador interpretaram a fala como tentativa de enquadramento público. Horas depois, Tarcísio desmarcou a visita sob justificativa formal de compromissos no estado, mas interlocutores relataram incômodo com a repercussão.
Nos bastidores, a avaliação é que a visita funcionou como gesto de distensão após o ruído, mas não encerrou a disputa sobre o papel de Tarcísio no arranjo de 2026. Publicamente, ele mantém a posição de que é candidato à reeleição em São Paulo.
Bolsonaro, mesmo preso, segue como ponto de convergência do campo conservador. No PL, Valdemar Costa Neto defende que decisões eleitorais passem pelo crivo do ex-presidente.
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