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Jovem mantém acusação de assédio contra ministro do STJ em depoimento ao CNJ

Marco Buzzi será alvo de sindicância após denúncia feita pela filha de advogada; magistrado afirma que acusações são infundadas e nega irregularidades.

Agência O Globo - 05/02/2026
Jovem mantém acusação de assédio contra ministro do STJ em depoimento ao CNJ
Jovem mantém acusação de assédio contra ministro do STJ em depoimento ao CNJ - Foto: Reprodução

Em depoimento presencial prestado à Corregedoria Nacional de Justiça nesta quinta-feira, a jovem que denunciou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi por assédio sexual confirmou a acusação e detalhou os fatos. Conforme apuração de O GLOBO, o depoimento durou cerca de duas horas.

Segundo fontes ligadas à investigação, a mulher de 18 anos relatou minuciosamente o episódio. Ela explicou que a decisão de denunciar foi motivada pela confiança que ela e sua família depositavam no magistrado, e descreveu como difícil o processo de rememorar situações de contato físico indevido.

O caso teria ocorrido em 9 de janeiro, em Balneário Camboriú (SC), quando a jovem, filha de um casal de amigos de Buzzi, tomava banho de mar e teria sido agarrada repetidas vezes pelo ministro. Após o episódio, a família deixou a residência do magistrado imediatamente e registrou boletim de ocorrência em São Paulo.

Em nota, Marco Buzzi negou as acusações, afirmando ter sido "surpreendido com o teor das insinuações" e que elas "não correspondem aos fatos". O STJ abriu sindicância para apurar o caso e, como informou O GLOBO, o ministro está de licença médica por tempo indeterminado, internado em um hospital de Brasília. A denúncia também foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao foro privilegiado do magistrado, e será relatada pelo ministro Nunes Marques.

A sindicância instaurada no STJ visa reunir e analisar documentos já formalizados em outras instâncias, como o boletim de ocorrência registrado pela família da denunciante e depoimentos colhidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A comissão responsável examinará os elementos constantes nos autos administrativos antes de deliberar sobre possíveis desdobramentos.