Poder e Governo
Lula afirma que conversou com Lulinha após citação em CPI do INSS: 'Se tiver algo, vai pagar'
Depoimentos à comissão mencionaram suposto lobby de Fábio Luís Lula da Silva em favor do empresário conhecido como Careca do INSS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou nesta quinta-feira (6) que chamou seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para conversar após o nome dele ser citado na CPI do INSS, em andamento no Congresso Nacional.
— Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei ele aqui, e falo isso com todo mundo, olhei no olho dele e disse: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se não tiver, se defenda, porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade — afirmou Lula em entrevista ao portal UOL.
Em dezembro, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que o colegiado pretendia ouvir Lulinha para esclarecer o depoimento de uma testemunha sobre um suposto lobby em benefício do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O pedido de convocação foi rejeitado à época.
Na ocasião, a comissão ainda não havia recebido provas que corroborassem o relato e buscava mais informações para aprofundar a investigação.
Segundo o senador, a testemunha afirmou que Lulinha teria recebido R$ 25 milhões para atuar em licitações relacionadas à venda de canabidiol ao Ministério da Saúde. O relato, conforme o parlamentar, foi prestado à Polícia Federal por Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS, e divulgado pelo portal Poder360. A defesa do empresário declarou não ter conhecimento sobre o caso.
Em nota, o Ministério da Saúde esclareceu que as reuniões com a empresa do Careca foram devidamente registradas em sistema de agendas público, sem qualquer desdobramento. "Não há oferta desse insumo no SUS e nenhuma compra foi realizada pelo Ministério da Saúde", informou a pasta. Lulinha, procurado, ainda não se manifestou.
Há registros de entrada do Careca no Ministério da Saúde em 2024 e 2025, como CEO da World Cannabis, empresa interessada em fechar negócios com o ministério na área de canabidiol. Em janeiro deste ano, o empresário chegou a ter uma agenda com o então secretário-executivo Swedenberger do Nascimento Barbosa, ligado ao PT e atualmente lotado no gabinete pessoal do Presidente da República.
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