Poder e Governo

Operação apura fraude com documentos falsos de Lula e Moraes em sistema judicial

Tentativa de fraude foi identificada pelo CNJ, que detectou inserção de documentos falsificados no sistema de mandados de prisão

Agência O Globo - 05/02/2026
Operação apura fraude com documentos falsos de Lula e Moraes em sistema judicial
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil de Goiás realiza uma operação para investigar a tentativa de inclusão de documentos falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), com o objetivo de simular a expedição de mandados de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou a tentativa de fraude no mês passado, ao registrar a inserção de documentos falsificados no sistema. Conforme o órgão, houve uma tentativa de gerar mandados de prisão em nome de Lula e Moraes, mas as ordens não chegaram a ser expedidas e nenhum dos dois foi alvo de medida judicial efetiva.

As investigações apontam que suspeitos inseriram documentos fraudulentos tanto no BNMP quanto em processos digitais do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), simulando decisões judiciais. A intenção era conferir aparência de legalidade aos registros falsos dentro dos sistemas oficiais do Judiciário.

A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e da Polícia Civil do Distrito Federal. Até o momento, não houve prisões de suspeitos.

O ministro Alexandre de Moraes já havia sido alvo de ação semelhante anteriormente. Em janeiro de 2023, o hacker Walter Delgatti Neto invadiu o sistema do CNJ e inseriu dados falsos, incluindo um mandado de prisão contra o próprio Moraes. Delgatti confessou a invasão e afirmou ter agido a pedido da então deputada federal Carla Zambelli, recebendo cerca de R$ 40 mil pelo serviço. A parlamentar nega as acusações.

Carla Zambelli e Walter Delgatti foram denunciados pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Segundo a Polícia Federal, o hacker acessou o sistema do CNJ a mando da deputada para inserir informações falsas. Em maio do ano passado, a Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli, por unanimidade, a 10 anos de prisão em regime fechado, além de multa milionária e perda do mandato parlamentar.

A ex-deputada deixou o país e foi presa após fugir para a Itália. Em dezembro do ano passado, ela renunciou ao mandato.