Poder e Governo

Em encontro com Bolsonaro, Tarcísio defendeu nome de centro para disputar Senado por São Paulo

Governador tem sustentado nos bastidores que disputa contra o PT é difícil e aposta em dois nomes ideológicos seria arriscada; plano frustraria Eduardo

Agência O Globo - 05/02/2026
Em encontro com Bolsonaro, Tarcísio defendeu nome de centro para disputar Senado por São Paulo
Em encontro com Bolsonaro, Tarcísio defendeu nome de centro para disputar Senado por São Paulo - Foto: Reprodução

O governador (Republicanos) defendeu, em encontro recente com o ex-presidente , uma composição ao Senado com um nome ideológico e outro de centro em São Paulo, como forma de neutralizar os adversários de esquerda. O plano frustraria políticos bolsonaristas que trabalham pela chamada "segunda vaga", como o pastor Marco Feliciano (PL) e o ex-deputado federal , que tenta manter influência nos rumos da campanha paulista.

A primeira vaga está encaminhada com o deputado federal (PP), ex-secretário estadual de Segurança Pública que deve a sua ascensão política ao bolsonarismo e ao discurso linha-dura adotado enquanto ex-integrante da Rota. Nesta quarta-feira, 4, após evento de anúncio da construção de moradias populares no Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio fez questão de dizer que, "sem dúvida nenhuma", o aliado estará nas urnas representando o grupo político.

Derrite teve a gestão contestada na pasta devido ao aumento na letalidade policial e a sucessivos flagrantes de violência, além de operações sangrentas na Baixada Santista, mas recebeu elogios do antigo chefe pela redução nos principais indicadores de criminalidade no período. Outro que crava a candidatura, de modo independente, mas congestionando o campo da direita, é o deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente no governo Bolsonaro.

Segundo aliados, o governador tem demonstrado preocupação com a possibilidade de não eleger senadores de seu grupo político em outubro, principalmente se um dos escolhidos para representar o presidente Lula (PT) for o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e um segundo nome escalado tenha menor rejeição no estado. A aposta em uma dobradinha bolsonarista seria insuficiente para garantir as duas vagas e abriria espaço para a dispersão de votos no eleitorado conservador moderado.

A equação é complexa porque Eduardo Bolsonaro era dado como candidato certo nas urnas até março do ano passado, quando decidiu viajar aos Estados Unidos alegando perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF) e articular sanções contra autoridades brasileiras com o presidente americano, Donald Trump. O parlamentar, que teve o mandato cassado por faltas, defendeu como substituto o deputado estadual Gil Diniz (PL), conhecido como “Carteiro Reaça” e um dos alvos do inquérito das fake news, e o próprio Feliciano.

Além de Haddad, o presidente Lula (PT) tem considerado a possibilidade de escalar o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e três ministros para a chapa majoritária em São Paulo: Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente; Simone Tebet (MDB), do Planejamento; e Márcio França (PSB), do Empreendedorismo. O governador apontou, em conversas reservadas, que não acredita na possibilidade de França e Alckmin saírem candidatos. Desse modo, Marina e Simone seriam as candidatas com condições de ampliar o espectro de votos do PT no estado.

Publicamente, o governador afirma que a escolha será feita “mais para frente” e levará em conta os dados das pesquisas eleitorais:

— Vamos fazer pesquisa, testar os nomes, para a gente ver quem tem mais aptidão para concorrer a essa segunda vaga do Senado. A gente sabe que vai ser uma eleição dura, disputada, e vamos procurar os melhores nomes para sermos muito competitivos — declarou nesta quarta.

Partidos da base aliada como PL, PSD, PP, União Brasil, Podemos, MDB e o próprio Republicanos tentam emplacar protagonistas e suplentes ao Senado, além do vice-governador do estado. Há uma tendência, neste momento, que a vice continue com o PSD, segundo apurou o GLOBO, com favoritismo para o atual ocupante do cargo, Felício Ramuth. O arranjo estadual poderia até deixar de fora "das cabeças" o PL, .

O grupo de postulantes bolsonaristas ainda envolve nomes como o deputado federal Mário Frias (PL), o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos) e o vice-prefeito da capital paulista, tenente-coronel Ricardo Mello Araújo (PL). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apoia a candidatura da deputada federal Rosana Valle (PL), mas ela demonstra resistência com a ideia. O deputado federal Cezinha de Madureira (PSD) conta com a simpatia da bancada evangélica. Dentro do MDB, uma possibilidade seria o deputado federal Baleia Rossi, presidente do partido.