Poder e Governo

Irmão de Marcinho VP e ex-vereador: quem é o dirigente destituído pelo PSDB após crise por laço familiar

Cristiano Santos havia assumido a presidência do diretório tucano em Belford Roxo (RJ) com aval do chefe estadual do partido, Luciano Vieira. Ele também é tio do rapper Oruam

Agência O Globo - 04/02/2026
Irmão de Marcinho VP e ex-vereador: quem é o dirigente destituído pelo PSDB após crise por laço familiar
- Foto: Reprodução / Facebook

O ex-vereador Cristiano Santos Hermógenes, que havia assumido o diretório do PSDB em Belford Roxo (RJ), foi destituído do cargo nesta terça-feira após vir à tona seu , um dos líderes da facção Comando Vermelho. Cristiano estava à frente do órgão partidário desde janeiro deste ano, conforme noticiado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo GLOBO junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Nas redes sociais, Cristiano exibe uma série de encontros recentes com o deputado federal Luciano Vieira (PSDB-RJ), que assumiu o comando do diretório estadual do PSDB no fim de 2025. Após as reportagens sobre o laço familiar de Cristiano, o partido dissolveu o diretório de Belford Roxo.

O caso gerou desgaste a Vieira, que vinha buscando aval do partido para se lançar candidato ao Senado. O apoio do PSDB também é disputado, na eleição deste ano, pelos grupos do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), e do governador Cláudio Castro (PL).

Vieira alegou que não tinha conhecimento de que Cristiano era irmão de Marcinho VP, que está preso desde 1996 por ligação com homicídios e com o tráfico de drogas. Cristiano também é tio do rapper Oruam, que passou a ser considerado foragido nesta semana após a .

Antes de ser alçado ao posto de dirigente do PSDB na Baixada Fluminense, Cristiano já havia sido vereador em Belford Roxo, entre 2016 e 2020. À época, ele fez oposição ao então prefeito Waguinho (Republicanos), mas se aliou ao antigo adversário na eleição municipal de 2024. Na ocasião, Cristiano lançou o filho, Cristian Santos, como candidato a vereador pelo Republicanos, mas ele não se elegeu.

Desde então, como mostrou reportagem da revista Veja no ano passado, Cristiano emplacou parentes e aliados na prefeitura de São João de Meriti, sob a gestão do prefeito Léo Vieira, irmão de Luciano Vieira. O filho, Cristian, foi nomeado "assessor de segurança institucional" na secretaria municipal de Governo, em junho de 2025.

Outro que ganhou cargo foi Wagner Turques, ex-subsecretário de Saúde na gestão de Waguinho em Belford Roxo, e que agora é subsecretário da Secretaria de Atenção aos Idosos em São João de Meriti. Nas redes sociais, Turques tem uma série de publicações nas quais demonstra amizade com o irmão de Marcinho VP.

Em 2022, um adversário de Cristiano pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) que negasse o seu registro de candidatura a deputado estadual. Na ocasião, Cristiano concorreu pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e teve pouco mais de 16 mil votos, o que lhe deixou como suplente. A impugnação da candidatura alegava que Cristiano era "notoriamente associado a facção criminosa" e que buscava "galgar os degraus do poder público para favorecer a mesma".

Em sua contra-argumentação à Justiça Eleitoral, a defesa de Cristiano reconheceu o parentesco com Marcinho VP, mas negou que isso tivesse impacto em sua candidatura.

"Não é segredo para ninguém que o impugnado é irmão do traficante preso Marcio dos Santos Nepomuceno, chamado de Marcinho VP, mais (sic) não é verdade que o mesmo se utiliza do tráfico de drogas para alavancar carreira política", diz o ofício assinado pela advogada Claudia Cecília Veiga de Farias.

A defesa de Cristiano apresentou ainda uma certidão para provar que a Justiça do Rio arquivou, em 2008, um processo contra ele por tráfico de drogas, reconhecendo a "extinção da punibilidade". Por conta disso, o Ministério Público Eleitoral autorizou a candidatura de Cristiano em 2022, embora tenha reconhecido a "gravidade dos fatos noticiados (...) atinentes à prática de condutas criminosas".

"É forçoso reconhecer que, tecnicamente, à míngua de condenação penal transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, tais fatos não configuram (...) ausência de condição de elegibilidade", disse o parecer do MP em 2022.