Poder e Governo

Abin abre processo disciplinar contra agente afastado que mantém canal no Youtube

Relatos apontam que servidor, de licença médica e recebendo salário, segue atuando nas redes sociais como atividade profissional

Agência O Globo - 03/02/2026
Abin abre processo disciplinar contra agente afastado que mantém canal no Youtube
Abin abre processo disciplinar contra agente afastado que mantém canal no Youtube - Foto: Reprodução / Facebook

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) instaurou um processo administrativo disciplinar contra o oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça, que administra um canal no Youtube com mais de 3 milhões de inscritos enquanto está afastado do trabalho por licença médica. Segundo relatos de colegas, Mendonça continua recebendo salário, mas atua nas redes sociais como atividade profissional.

De acordo com o g1, que revelou o caso nesta terça-feira, Mendonça foi notificado do processo na semana passada. O servidor deverá responder judicialmente por supostamente descumprir normas internas da Abin ao exercer atividade pública durante o afastamento.

No Youtube, Mendonça se apresenta como policial penal federal e afirma querer orientar concurseiros da área. Entretanto, seus vídeos costumam trazer críticas a políticos e comentários sobre segurança pública. Há dois anos, a Justiça chegou a suspender conteúdos do canal por disseminação de discurso de ódio e abuso do direito à liberdade de expressão.

Em um dos vídeos, Mendonça declara que o objetivo das postagens é “bater em político, deixar político constrangido”, além de mostrar a “realidade da política e da segurança pública”. Em outra publicação, afirma gravar até 16 horas por dia e indica contar com uma equipe de colaboradores para o canal.

A Abin esclareceu que a lei nº 11.776, que estrutura o Plano de Carreiras e Cargos, não exige dedicação exclusiva para oficiais técnicos de inteligência. A agência informou ainda que não comenta procedimentos correcionais em andamento.

“A Corregedoria da Abin informa que os processos disciplinares instaurados no âmbito da instituição tramitam sob caráter sigiloso, conforme previsto na legislação vigente e nas orientações da Controladoria-Geral da União (CGU), especialmente no que se refere à proteção da intimidade, da imagem e dos direitos das pessoas envolvidas”, diz a nota da agência.

A reportagem tentou contato com Mendonça, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.