Poder e Governo

PP deixa governo gaúcho, estuda apoio a Zucco e isola vice de Leite no centro

Partido tem pré-candidatura própria, mas deverá realizar pesquisa ao longo dos próximos meses para decidir posição na chapa majoritária

Agência O Globo - 03/02/2026
PP deixa governo gaúcho, estuda apoio a Zucco e isola vice de Leite no centro
PP deixa governo gaúcho, estuda apoio a Zucco e isola vice de Leite no centro - Foto: Reprodução

Em preparação para a disputa pelo governo do estado, o PP decidiu deixar a base do governo do Rio Grande do Sul, comandado por (PSD), para investir na construção de uma aliança de direita junto ao deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), que representará o campo bolsonarista no pleito. A decisão foi tomada em um encontro do diretório estadual do partido no último dia 20, no qual representantes da sigla também descartaram a possibilidade de apoiar a candidatura do vice-governador Gabriel Souza (MDB).

Integrante das duas gestões de Leite à frente do estado, o partido vinha sinalizando que não faria parte da chapa do emedebista desde o final do ano passado, quando lançou a pré-candidatura do deputado federal Covatti Filho (PP), que também preside o diretório estadual. Depois do anúncio do desembarque do governo, o pai do parlamentar, Vilson Covatti, também deixou o comando da Secretaria de Desenvolvimento Rural.

Com a saída oficial da sigla do grupo político do governador, Covatti Filho explica que planeja se manter na disputa pelo Palácio Piratini, mas relata que a legenda também aprovou, durante o último encontro, o "indicativo de uma aliança com o PL".

— Nós temos um posicionamento no Rio Grande do Sul de sermos o maior partido, com o maior número de prefeituras e de filiados, e com a eleição se avizinhando, vemos que ela tende a ser uma disputa bem polarizada. Com isso, a nossa base, alinhada com a direita, viu a necessidade de estarmos num palanque forte que representa esse campo — explica o deputado.

Ele também afirma que há a previsão para a organização de uma pesquisa entre março e abril com o intuito de analisar quais candidatos têm maior potencial na disputa, além de testar diferentes cenários e a rejeição de cada um dos postulantes. Com isso, o novo grupo deverá decidir quem encabeçará a chapa. O acordo também prevê que o partido que não for o escolhido para se candidatar ao governo poderá apontar o vice e uma das vagas ao Senado.

Internamente, um dos nomes cotados para uma possível indicação a vice, caso Zucco lidere a chapa, tem sido a deputada estadual Silvana Covatti, mãe de Covatti Filho. Já a composição para o Senado que vinha sendo construída pelo PL até o momento, que tinha os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Sanderson (PL-RS) como pré-candidatos, poderá ser impactada.

— O PP definiu apoio para a nossa candidatura e temos muito orgulho dessa parceria. Iremos avaliar se tem algum nome a ser analisado [para o Senado] e eles irão participar dessa análise. O importante é termos um projeto sólido, propositivo e competitivo — disse Zucco.

A articulação entre as duas legendas também chegou a ser elogiada pelo senador (PL-RJ), pré-candidato à presidência. Em um post no X, publicado após o anúncio da saída do PP da gestão estadual, o parlamentar agradeceu nominalmente a Covatti Filho e ao senador Ciro Nogueira, que preside o diretório nacional do partido. "Juntos vamos apresentar o melhor projeto para resgatar a dignidade dos nossos irmãos gaúchos, abandonados pela esquerda de Lula no momento em que mais precisavam", escreveu no post.

Leite também tem se colocado à disposição para concorrer ao Planalto neste ano, mas disputa espaço dentro do PSD com os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás, filiado à sigla na semana passada. Em paralelo, ele trabalha pela candidatura de seu vice como sucessor e alternativa de centro na eleição estadual.

Após o anúncio da saída do PP do governo e da renúncia de Vilson Covatti, Gabriel Souza afirmou que "sempre conversou" com eles e que a sigla esteve presente nas últimas gestões de seu grupo político "com cargos em posições extremamente estratégicas". Ele destacou que o partido manteve as indicações em outras secretarias, como a de Desenvolvimento Econômico, Transportes, Agricultura, além da liderança do governo na Assembleia Legislativa.

— Me parece que tem muito mais lógica nós estarmos juntos defendendo o projeto que construímos do que, eventualmente, o PP estar em outro campo, batendo no que foi feito, o que provavelmente acontecerá, caso se concretize esse indicativo do diretório. Agora, temos respeito, obviamente, a essas decisões internas do partido — disse. — Ao mesmo tempo, temos o apoio do PSD, sigla do governador, da unidade do MDB, que é por si só uma grande aliança, do União Brasil e estamos conversando com outras siglas.

No pleito deste ano, além da chapa da direita, ele deverá enfrentar representantes do campo da esquerda, dividido até o momento entre as candidaturas do PT e do PDT. Entre os postulantes, está a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), neta do ex-governador Leonel Brizola e nome com aval do presidente nacional da sigla, o ex-ministro Carlos Lupi, para concorrer ao governo do estado.

Já o PT tem como pré-candidato Edegar Preto, diretor-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que costura uma chapa com as indicações para o Senado do deputado federal Paulo Pimenta (PT) e da ex-deputada Manuela D'Ávila (PSOL). Os dois grupos têm se mostrado abertos para a possibilidade de composição, mas resistem à chance de abrir mão da cabeça de chapa.