Poder e Governo
Eduardo Leite esclarece ausência de prévias no PSD e relembra embate com Doria em 2022
Governador do RS concedeu entrevista ao GLOBO ao lado de Ratinho Jr. e Ronaldo Caiado, também pré-candidatos pelo PSD; assista
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou que o PSD não realizará prévias para definir seu candidato à Presidência da República. A declaração foi feita durante entrevista ao jornal O GLOBO nesta quinta-feira (6), em conversa com a colunista Vera Magalhães e o editor de Política Thiago Prado. Os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás), que também são pré-candidatos pelo PSD, participaram do encontro.
Alinhamento prévio
Leite destacou que, enquanto no PSDB houve um debate interno que resultou em prévias, no PSD o cenário é diferente. “Dentro do PSDB, quando eu estava lá, houve um debate interno que resultou num processo de prévias. Não é o caminho que se está apresentando agora no PSD. Até porque no PSDB havia, à época, o governador de São Paulo como pré-candidato. Não é à toa que o governador Tarcísio é um nome sempre lembrado, porque São Paulo é o estado mais populoso do Brasil”, afirmou.
O gaúcho também relembrou a disputa interna com o ex-governador João Doria no PSDB em 2022. “Não me apresentei candidato a presidente da outra vez simplesmente achando que seria melhor candidato do que outro, mas porque o contexto exigia uma renovação do PSDB, depois de o próprio governador João Doria ter abraçado em 2018 o Bolsonaro, depois rompido, o que gerou um desgaste que de fato dificultou o caminho para ele, tanto que acabou nem sendo candidato. Aqui no PSD acho que o caminho é outro, há um sentimento comum que nos une aqui”, pontuou Leite.
Trio na corrida presidencial
Durante a entrevista, os três governadores detalharam como pretendem lidar com a disputa interna no PSD pelo posto de candidato à Presidência em 2026. A corrida ganhou novo fôlego na terça-feira, com o anúncio da filiação de Ronaldo Caiado ao PSD após deixar o União Brasil.
A chegada de Caiado foi vista por diferentes forças políticas como um movimento que reforça a estratégia de pulverizar candidaturas de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo é evitar uma disputa polarizada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como representante do seu grupo na eleição deste ano.
Assista à íntegra da entrevista
A movimentação também fortalece o capital político do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que agora reúne três presidenciáveis em seu partido. Kassab mantém influência na gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que era cogitado para a disputa presidencial até o anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato do PL.
O trio de governadores do PSD terá o desafio de atrair segmentos estratégicos que apoiaram Bolsonaro em 2022 e que ainda demonstram preferência por Tarcísio, considerado o nome mais competitivo contra Lula. As articulações de Ratinho Jr., Caiado e Leite miram especialmente o mercado financeiro, além de lideranças da indústria e do agronegócio.
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