Poder e Governo
Candidatura moderada, sem brigas com Flávio e anti-Lula: presidenciáveis do PSD indicam rumos do partido nas eleições
Governadores Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS) indicam que partido se apresentará como alternativa viável e moderada nas urnas
Em sua primeira agenda pública conjunta, o trio de presidenciáveis do PSD — agora com a presença do governador de Goiás, Ronaldo Caiado — buscou consolidar o partido como uma alternativa viável e moderada em meio à polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A proposta, segundo os próprios governadores, é liderar um projeto de centro, mantendo a promessa de se opor ao petista em um eventual segundo turno, independentemente do adversário.
Unidade e protagonismo
Durante evento em São Paulo nesta quarta-feira (28), Caiado esteve ao lado dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Junior (Paraná), seus novos colegas de sigla. O ruralista afirmou que todos os pré-candidatos do PSD estão alinhados e comprometidos com uma candidatura própria, independente de Flávio Bolsonaro.
— Certeza absoluta de que teremos um candidato à Presidência da República — garantiu Caiado.
Segundo os pré-candidatos, a escolha do nome que representará o PSD não deverá gerar disputas internas. O presidente do partido, Gilberto Kassab, conduzirá o processo por meio de debates, sem a realização de prévias, como ocorreu no PSDB em 2022. Caiado comparou a escolha à “fumacinha branca” do Vaticano, indicando que a decisão caberá ao líder partidário.
— Não há nenhum critério objetivamente definido. Vai ser pela capacidade de entendimento político daquilo que possa, no processo eleitoral, melhor ser exitoso — explicou Leite.
Diferenças e convergências
Apesar de diferenças de estilo e discurso, o trio mantém unidade em temas centrais. Leite costuma criticar tanto o petismo quanto o bolsonarismo, enquanto Caiado, de perfil linha-dura na segurança pública, e Ratinho, que já participou de manifestações ao lado de Bolsonaro, representam alas mais conservadoras. O governador do Paraná, jovem e filiado ao PSD desde 2016, reforça o perfil renovador da chapa.
No encontro com empresários paulistas, a tônica foi de união contra o PT e defesa de pautas como austeridade fiscal, combate à criminalidade, reformas do Estado e incentivo à parceria público-privada para o desenvolvimento econômico.
— Não queremos disputar um com o outro. Quem tem mais condição de representar um projeto de um novo Brasil, de virar essa página? Acho que aqui todo mundo já está politicamente realizado como governador do seu estado — pontuou Ratinho.
Convívio com Flávio Bolsonaro
A estratégia do PSD também busca evitar rivalidades no campo conservador. A concorrência com o filho de Bolsonaro foi minimizada pelos governadores e por Romeu Zema (Novo), que também participou do painel e segue como pré-candidato. Caiado relatou ter se reunido recentemente com Flávio e com o coordenador de campanha do rival, senador Rogério Marinho (PL).
— Ele entendeu perfeitamente — disse Caiado. — Uma candidatura única no primeiro turno é o que o Lula quer, mas não estamos fazendo o gosto do Lula, nós estamos querendo ganhar a eleição.
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), interpretaram o movimento de Kassab como sinal de que as chances de reversão da candidatura de Flávio Bolsonaro diminuíram. Tarcísio deve se encontrar com Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, em Brasília, uma semana após cancelar a visita devido à pressão do senador.
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