Poder e Governo
PF comunica ao STF que apura se Lulinha atuou como 'sócio oculto' do careca do INSS
Investigadores, no entanto, ressalvaram que 'não há indícios' de que o filho do presidente esteja 'diretamente envolvido' no caso das fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apura citações a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, realizadas no âmbito do inquérito sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em uma representação revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO, a PF diz que o filho de Lula "em tese, poderia atuar como sócio oculto" do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS", apontado como o pivô do esquema.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que é amigo de Lulinha e o defendeu em outros processos na Justiça, disse que as suspeitas são "mentirosas" e que ele nunca teve nenhum tipo de relação ou negócios com o careca do INSS. Lulinha não constituiu oficialmente nenhum defensor.
"A fim de dar transparência à investigação para todos os atores da persecução penal, a partir da relação estabelecida entre ANTÔNIO CAMILO e ROBERTA LUCHSINGER, vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto entre ANTÔNIO CAMILO e terceiro que, em tese, poderia atuar como sócio oculto, por intermédio da mencionada ROBERTA, que funcionaria como elo entre ambos. Tal pessoa pode ser FÁBIO LULA DA SILVA”, diz a PF, no ofício.
A PF ressalva, no entanto, que não "há indícios" de que filho do presidente "esteja diretamente envolvido nas condutas relativas aos descontos associativos fraudulentos". A representação foi enviada ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso na Corte.
Investigação:
Ex-candidata a deputada estadual pelo PT e amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger foi alvo de um mandado de busca e apreensão na última fase da operação da PF. Paralelamente, segundo as investigações, ela prestou serviços de consultoria ao careca do INSS que lhe renderam R$ 1,5 milhão.
Em nota anterior, a defesa de Luchsinger alegou que ela foi procurada por Antunes para atuar no mercado de canabidiol e que as atividades “se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar”. “Nenhum contrato público foi jamais celebrado e nem mesmo negociado”, disse, no texto.
Segundo a PF, há três menções a Lulinha na investigação - o depoimento de um ex-sócio do careca que relatou que Fabio Luís era "sócio" do lobista em um projeto sobre remédios à base de cannabis e teria recebido 25 milhões, "sem especificar se em reais, euros ou dólares", para um negócio de "kits de dengue", além de uma "mesada" de R$ 300 mil por mês.
O segundo indício seria a compra de passagens aéreas em conjunto por Lulinha e Roberta Luchsinger. "Foram identificadas passagens emitidas sob o mesmo localizador (código de identificação da reserva), o que indica a aquisição conjunta dos bilhetes e reforça o vínculo existente entre ambos”, diz a PF. Os investigadores não especificam quem pagou pelas passagens.
E o terceiro seriam possíveis referências a Lulinha em conversas travadas entre Luchsinger e o careca do INSS. Em uma delas, o lobista pede a um funcionário para pagar R$ 300 mil para "o filho do rapaz".
O advogado amigo de Lulinha afirmou que ele está "muito tranquilo" e que "não há nenhuma mensagem, conversa ou prova" que o relacione aos negócios do careca. Marco Aurélio também disse que a mulher de Lulinha é amiga de Luchsinger, que eles já fizeram viagens juntos ao exterior, mas que se trata de uma "relação pessoal e não negocial".
O defensor também afirmou que pretende protocolar um pedido para que a Polícia Federal apure o vazamento "criminoso" de informações sigilosas do inquérito.
— Tudo o que saiu só confirma que ele não tem nada a ver com o caso do INSS. Eu não quero que o Fabio esteja acima da lei, mas também não se poder permitir que ele esteja abaixo da lei — disse Marco Aurélio, que considerou incomum o movimento da PF de continuar investigando os indícios, sem provas de irregularidades.
Procurada, a defesa de Antunes não quis comentar o assunto.
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