Poder e Governo
Bolsonaro é levado a hospital após queda e traumatismo leve na prisão da PF
Ex-presidente sofreu acidente durante crise de soluços enquanto estava detido
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi encaminhado nesta terça-feira ao hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames após sofrer uma queda dentro da Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena. Segundo a equipe médica, Bolsonaro foi diagnosticado com traumatismo cranioencefálico leve e está sob acompanhamento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A decisão de transferi-lo para o hospital foi motivada pela necessidade de avaliação mais detalhada do quadro clínico. Bolsonaro passou mal durante a madrugada, caiu e bateu a cabeça. O médico Birolini destacou que quedas com traumatismo representam uma das principais preocupações da equipe médica, devido ao estado de saúde do ex-presidente, risco já previamente comunicado.
— Em vista da situação em que ele se encontra, quedas com traumatismos são uma de nossas maiores preocupações. Já havíamos alertado sobre esse risco — afirmou o médico.
A informação sobre a queda foi divulgada inicialmente por Michelle Bolsonaro, que relatou nas redes sociais que o ex-presidente teve uma crise de soluços enquanto dormia, perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça em um móvel. Segundo ela, por estar detido em uma sala especial da Polícia Federal, o atendimento médico só teria ocorrido quando ele foi chamado para a visita.
Michelle esteve na Superintendência da PF na manhã desta terça-feira e informou que aguardava esclarecimentos formais sobre como foram prestados os primeiros socorros após a queda. Integrantes da Polícia Federal, ouvidos sob reserva, afirmaram que houve atendimento médico no local e minimizaram a gravidade do episódio.
Além de Birolini, o cardiologista Brasil Ramos Caiado também foi acionado e esteve na unidade da Polícia Federal para avaliação clínica do ex-presidente antes do deslocamento ao hospital.
O episódio ocorre poucos dias após Bolsonaro receber alta do hospital DF Star, onde ficou internado por nove dias após cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Durante a internação, o ex-presidente também foi submetido a um bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para conter crises persistentes de soluços, associadas a complicações da facada sofrida em 2018.
Desde o retorno à custódia da Polícia Federal, em 1º de janeiro, aliados relatavam evolução clínica positiva, com redução das crises de soluço. Ainda assim, pessoas próximas afirmam que Bolsonaro vinha se queixando de dificuldades para dormir, atribuídas ao funcionamento contínuo do sistema de ar-condicionado da unidade.
A defesa levou essas reclamações ao Supremo Tribunal Federal. Em petição ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados alegaram que o ruído compromete o repouso do ex-presidente e solicitaram medidas para adequação do espaço. Na segunda-feira, Moraes determinou que a Polícia Federal se manifeste, em até cinco dias, sobre as condições relatadas.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
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