Poder e Governo
Gleisi Hoffmann se reúne com Hugo Motta em meio à crise entre Câmara e governo
Presidente da Câmara rompeu relações com o líder do PT, partido do presidente Lula
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reuniu-se nesta quarta-feira (XX) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir as prioridades do governo federal na Casa até o fim do ano. O encontro ocorreu em um cenário de tensão entre o comando da Câmara e o Palácio do Planalto.
“Foi uma reunião que eles pediram para tratar da pauta de interesse do governo”, afirmou Hugo Motta ao jornal O Globo.
Entre as prioridades do Executivo estão a aprovação do orçamento, que precisa ser votado até dezembro para evitar atrasos no repasse das emendas parlamentares, como ocorreu neste ano. O governo também busca avançar em um projeto que amplia a tributação sobre bets e fintechs, considerado fundamental para o cumprimento da meta fiscal. Além disso, está na agenda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que reforça o papel da União na área.
O ambiente de articulação política ficou ainda mais delicado após Motta anunciar o rompimento com o líder do PT na Câmara, deputado federal Lindbergh Farias (RJ). A relação já estava desgastada desde episódios como a tensão envolvendo o PL Antifacção, cuja relatoria Motta entregou à oposição. Integrantes da Mesa Diretora relatam que a crise se intensificou nas últimas semanas.
Segundo aliados do presidente da Câmara, Motta avalia que Lindbergh Farias age de maneira errática, não cumpre acordos de votação e tenta transferir responsabilidades que seriam do Palácio do Planalto para a Mesa da Casa.
O rompimento foi anunciado por Motta em entrevista à Folha de S. Paulo: “Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, declarou.
Lindbergh reagiu nas redes sociais, afirmando que, se existe uma crise de confiança entre governo e Câmara, ela seria consequência das escolhas do próprio Hugo Motta. O petista classificou a postura do presidente da Câmara como “imatura”.
“Política não se faz como clube de amigos. Minhas posições políticas são transparentes e previsíveis. Sempre atuei de forma clara e com posições coerentes, nunca na surdina e erraticamente, como agiu o presidente da Câmara na derrubada do IOF, na PEC da Blindagem e na escolha do deputado Guilherme Derrite como relator de um PL de autoria do Poder Executivo”, afirmou Lindbergh.
Antes da crise com Lindbergh vir a público, Motta já havia utilizado as redes sociais para defender o PL Antifacção e rebater críticas feitas pelo presidente Lula e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao texto aprovado pela Câmara. O tom mais duro na defesa do projeto coincidiu com o esforço do governo para modificar, no Senado, pontos considerados problemáticos.
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