Poder e Governo

Derrite janta com Lira e Cunha após adiamento do Projeto Antifacção e deve insistir em divulgar novas versões do relatório até terça-feira

Relator enfrenta impasse para construir consenso entre governo e oposição

Agência O Globo - 13/11/2025
Derrite janta com Lira e Cunha após adiamento do Projeto Antifacção e deve insistir em divulgar novas versões do relatório até terça-feira
Derrite - Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator do Projeto Antifacção, deixou a sessão da Câmara dos Deputados na quarta-feira para um jantar com os ex-presidentes da Casa Arthur Lira (PP-AL) e Eduardo Cunha (Republicanos-RJ). O encontro ocorre em meio às dificuldades do relator em construir um acordo que viabilize a aprovação da proposta, mesmo após a apresentação de quatro versões do parecer em apenas seis dias.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu adiar a análise do projeto após pedidos do governo e da oposição por mais tempo para discutir o texto.

Apesar da quarta versão já ter sido divulgada, o governo ainda aponta falhas técnicas e brechas que poderiam favorecer integrantes de facções. Por outro lado, parlamentares bolsonaristas insistem em classificar facções como organizações terroristas, ponto rejeitado pela base governista e ausente no relatório atual de Derrite.

Mesmo diante de críticas à estratégia de apresentar múltiplas versões em curto período, Derrite, atualmente licenciado do cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo, afirmou durante o jantar com Lira e Cunha que continuará ajustando o relatório até a próxima terça-feira, quando está prevista a votação, conforme anunciado por Motta.

O relator tem declarado que seu parecer deve ser considerado um “ponto de partida” e incentiva os deputados a sugerirem alterações.

O jantar foi revelado pelo site PlatôBR e confirmado pelo jornal O Globo. Por meio de sua assessoria, Derrite informou que não tratou do projeto durante o encontro. Já Eduardo Cunha afirmou que não havia marcado reunião com o relator e que o encontro ocorreu por intermédio de Lira. Procurado, Arthur Lira não se manifestou.

— O jantar foi um encontro fortuito. Jantar com o Arthur é comum. Foi coincidência estarmos juntos e o Derrite chegar. Aproveitamos para conversar e discutir a situação, mas não houve nada pré-combinado — declarou Cunha ao Globo.

O relator, alvo de críticas de especialistas em segurança, do Palácio do Planalto, de governadores de direita e de parlamentares tanto da base quanto da oposição, solicitou que a votação ocorra na próxima terça-feira, pedido atendido pela presidência da Câmara.

Na nova versão do relatório, Derrite promoveu ajustes para tentar contemplar demandas do governo. No entanto, avaliação preliminar do Palácio do Planalto aponta que as principais reivindicações não foram atendidas e que o texto permanece improvisado.

Em relação ao financiamento das atividades da Polícia Federal, integrantes do Ministério da Justiça ainda identificam problemas no parecer mais recente.

O novo relatório introduz o termo "organização criminosa ultraviolenta" para caracterizar o crime de "facção criminosa". O objetivo é evitar sobreposição de leis, já que existe legislação específica sobre organização criminosa.

De acordo com integrantes da articulação do governo, diferentes áreas da Esplanada avaliam que a nova tipificação penal proposta não resolve a confusão entre crimes presente no relatório anterior.