Poder e Governo
Quem é Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS preso em operação da PF
Ele deixou o cargo no final de abril deste ano, após início das investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi preso nesta quinta-feira (data) durante uma nova fase da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Demitido no final de abril, Stefanutto compareceu no mês passado à CPI do INSS. Inicialmente, recusou-se a responder aos questionamentos do relator Alfredo Gaspar (União-AL), mas depois foi convencido a colaborar. Em sua fala, defendeu as medidas adotadas durante sua gestão e afirmou ter sido convidado ao cargo pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Além de cargos de indicação política, Stefanutto construiu carreira técnica como servidor da Receita Federal e procurador da Advocacia-Geral da União (AGU), função que ainda exerce. Filiado ao PSB, sua indicação à presidência do INSS foi celebrada em nota oficial do partido, que posteriormente negou ter feito a indicação.
Antes de assumir o comando do INSS, Stefanutto ocupou outras funções na instituição. Em 2023, chefiou a Diretoria de Orçamento, Finanças, Licitações, Contratos e Engenharia, e entre 2011 e 2017 atuou como procurador-geral do órgão. Também representou o INSS como conselheiro na Caixa Seguradora e integrou a equipe de transição do governo Lula na área de Previdência.
Formado em Direito pela Universidade Mackenzie, Stefanutto possui especializações em instituições como a FGV e a Universidade de Alcalá (Espanha), onde tornou-se mestre em Sistemas de Seguridade Social. Seu currículo inclui pós-graduação em Gestão de Projetos, estudos em Mediação e Arbitragem, além de mestrados internacionais em Direito pela Universidade de Lisboa e pela Università degli Studi di Milano.
Sua trajetória profissional começou na Marinha do Brasil e inclui passagens como técnico da Receita Federal, atuando em tributos internos e área aduaneira, além de procurador federal da AGU, onde permanece vinculado.
Além da atuação técnica e jurídica, Stefanutto tem produção acadêmica relevante: é autor do livro “Direitos Humanos das Mulheres e o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos”, cuja introdução foi escrita por Maria da Penha Fernandes, referência na luta contra a violência de gênero no Brasil.
Ao assumir a presidência do INSS, Stefanutto enfrentou desafios como a fila de mais de 1,7 milhão de requerimentos de benefícios, a necessidade de modernização do sistema Meu INSS e um quadro de servidores defasado. Sua nomeação, celebrada pelo PSB, foi vista como uma tentativa de aliar conhecimento técnico e sensibilidade política em um setor crucial para milhões de brasileiros.
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