Poder e Governo

CPI do Crime Organizado ouvirá chefe da PF e promotor referência no combate ao PCC em meio a disputa por PL Antifacção

Depoimentos de Andrei Passos Rodrigues e Lincoln Gakiya ocorrem na próxima semana, enquanto oposição pressiona governo na pauta da segurança pública

Agência O Globo - 11/11/2025
CPI do Crime Organizado ouvirá chefe da PF e promotor referência no combate ao PCC em meio a disputa por PL Antifacção
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

A CPI do Crime Organizado do Senado inicia, na próxima semana, uma nova etapa com as oitivas de autoridades da cúpula da segurança pública, em meio à disputa entre governo e oposição pelo protagonismo na pauta da segurança e pela tramitação do PL Antifacção — principal aposta do Planalto para endurecer o combate às organizações criminosas.

Estão agendados para os dias 18 e 19 de novembro os depoimentos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues; do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada; do diretor de Inteligência Penal da Senappen, Antônio Glautter de Azevedo Morais; e do promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no enfrentamento ao PCC.

O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pretende utilizar as audiências para identificar falhas de integração entre o sistema prisional e as forças policiais. O plano de trabalho da CPI divide a investigação em nove eixos, que vão desde lavagem de dinheiro ao controle de fronteiras, e prevê a apresentação de um relatório preliminar até janeiro.

O avanço da CPI ocorre em um momento em que a segurança pública se consolida como um dos principais campos de disputa política. No Planalto, há preocupação de que a comissão seja instrumentalizada pela oposição para desgastar o governo Lula, especialmente em estados com forte presença de facções criminosas. Integrantes da base governista, por sua vez, defendem uma atuação técnica, para evitar que o colegiado se transforme em palanque eleitoral.

A oposição, por outro lado, busca associar o governo à suposta ineficiência no combate ao crime organizado. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que a CPI deve apurar “a omissão do governo diante da expansão das facções”, enquanto parlamentares do partido articulam o endurecimento do PL Antifacção durante a tramitação no Congresso.

Instalada no início de novembro, a CPI é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES).