Poder e Governo

STF inicia julgamento de militares e policial acusados de planejar sequestro de Moraes

PGR aponta que o grupo foi responsável pelas ações mais severas e violentas da organização criminosa que teria tentado um golpe de Estado

Agência O Globo - 11/11/2025
STF inicia julgamento de militares e policial acusados de planejar sequestro de Moraes
Foto: © Foto / Rosinei Coutinho / STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta terça-feira, o julgamento dos dez integrantes do chamado “núcleo três” da trama golpista, formado por membros das forças de segurança: nove militares — entre eles os chamados 'kids pretos' — e um policial federal.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), esse grupo foi responsável pelas “ações mais severas e violentas” da organização criminosa que teria tentado um golpe de Estado.

O julgamento teve início com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, a PGR e as defesas dos réus realizarão as sustentações orais.

Entre as principais acusações contra o núcleo está o suposto plano de sequestrar o ministro Alexandre de Moraes, que teria chegado a ser colocado em prática, mas foi cancelado durante a operação batizada de “Copa 2022”.

Outra acusação envolve a tentativa de pressionar o comando das Forças Armadas a aderir ao plano de ruptura institucional, incluindo a divulgação da “Carta ao Comandante do Exército Brasileiro”, assinada por oficiais da ativa.

O réu de maior patente é o general da reserva Estevam Theophilo, ex-comandante do Comando de Operações Terrestres (Coter), acusado de aceitar coordenar as forças terrestres para a execução do golpe. O único não militar entre os réus é o policial federal Wladimir Soares, suspeito de repassar informações sigilosas sobre a segurança do então presidente eleito, Lula.

Quatro réus são acusados de atuar para “neutralizar autoridades centrais do regime democrático”: os tenentes-coronéis Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira, Rodrigo Bezerra de Azevedo e Wladimir Soares.

Com base em dados de antenas de celulares e mensagens trocadas no grupo “Copa 2022”, a PGR afirma que Lima, Oliveira e Azevedo participaram do monitoramento de Moraes. No dia 15 de dezembro, a operação foi desmobilizada logo após uma sessão do STF ser suspensa.

Todos os réus negam envolvimento. A defesa de Azevedo, apontado pela PGR como o responsável pelo codinome Brasil, afirma que ele sequer estava em Brasília no dia 15, mas em Goiânia, comemorando aniversário. Segundo a defesa, Azevedo usou posteriormente um dos aparelhos que integravam o grupo de mensagens, alegando ter encontrado o dispositivo em uma unidade do Exército.

A Primeira Turma do STF já condenou 15 pessoas relacionadas à trama golpista: oito do chamado “núcleo crucial”, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, e sete do grupo acusado de disseminar desinformação.

Para dezembro, está marcado o julgamento dos seis integrantes do “núcleo dois”, apontados como responsáveis por “gerenciar” as ações da organização criminosa.