Internacional
Desastre de Chernobyl, maior acidente nuclear da história, completa 40 anos
Região da central se tornou hoje santuário para espécies selvagens
Uma sequência de erros humanos, combinada com um reator obsoleto e com defeitos de projeto, levou ao maior acidente nuclear já registrado, há exatos 40 anos.
No dia 26 de abril de 1986, o reator número 4 da usina de Chernobyl, na Ucrânia, então pertencente à União Soviética, explodia após um teste mal conduzido, espalhando material radioativo por toda a Europa. Hoje, a vegetação tomou conta da zona vermelha que cerca a usina desativada.
A área interditada aos seres humanos se tornou refúgio de espécies selvagens, algumas ameaçadas de extinção no resto do mundo, enquanto outras desenvolveram estratégias para se adaptar a um ambiente radioativo.
O mundo registrou 139 acidentes em usinas nucleares entre 1952 e 2024, com um total de 69 vítimas diretas e mais de 5 mil casos de câncer ocorridos ao longo do tempo e relacionados aos incidentes.
A maioria dessas vítimas é atribuída ao desastre de Chernobyl, que causou o óbito imediato de 50 pessoas e cerca de 4 mil casos de tumores, segundo estimativa da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
O segundo maior acidente nuclear em gravidade foi o da usina de Fukushima, no Japão, em 2011. A usina resistiu ao terremoto de magnitude 9.0, mas não ao tsunami de 13 metros que se seguiu. O saldo foi de uma vítima direta e 573 casos de câncer relacionados.
A explicação para a gravidade incomparável da tragédia de Chernobyl está em uma cadeia de falhas humanas. No dia 26 de abril de 1986, estava programado um teste no reator número 4 para verificar se, em caso de blecaute, as turbinas seriam capazes de continuar produzindo energia por alguns minutos.
O teste era complexo e foi realizado em um reator ativo havia cerca de dois anos. Para executá-lo, os técnicos desligaram alguns sistemas automáticos de segurança - fundamentais para parar o reator em situações de emergência. Em seguida, começaram a reduzir a potência, sem considerar o risco de instabilidade.
Pela forma como foi projetado, o reator ficava difícil de controlar quando a potência estava baixa. Um dos técnicos decidiu então acionar o botão de emergência AZ-5, que ativa as barras de controle. Mas a potência aumentou subitamente, em vez de diminuir. Isso aconteceu porque a ponta das barras de controle era feita de grafite - e, quando inseridas no reator, aumentaram a potência em vez de reduzi-la.
O pico repentino de energia provocou superaquecimento e fusão do núcleo, seguidos por duas explosões causadas pelo acúmulo de vapor.
A primeira explosão destruiu a estrutura de contenção da usina, inadequada, facilitando a dispersão de material radioativo no ambiente. A segunda, três segundos depois, espalhou o que restava do núcleo.
A central de Chernobyl foi posteriormente desativada e coberta por um sarcófago, sobre o qual, entre 2016 e 2018, foi construída outra estrutura. A descontaminação definitiva da região está prevista apenas para 2065.
A Aiea registrou que mais de 100 materiais radioativos foram liberados no acidente. Entre os mais perigosos estavam o iodo-131, que se concentra na tireoide, além de césio-137 e estrôncio-90, que permanecem no ambiente por cerca de 30 anos.
A notícia do desastre só foi divulgada na Ucrânia e no resto do mundo no dia 29 de abril de 1986, quando uma nuvem radioativa já começava a se espalhar. Como destaca a Aiea, "o acidente de Chernobyl foi um marco para a segurança nuclear e levou a acordos juridicamente vinculativos e a uma maior transparência e cooperação global".
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