Internacional

Trump defende tarifas e promete linha dura com Irã em discurso mais longo

Presidente falou durante quase 2 horas diante do Congresso

Redação ANSA 25/02/2026
Trump defende tarifas e promete linha dura com Irã em discurso mais longo
Donald Trump durante o discurso do Estado da União - Foto: © ANSA/AFP

Em um discurso sobre o Estado da União que entra para a história como o mais longo já realizado por um presidente americano, Donald Trump dedicou 1h48 para exaltar o que chamou de "sucessos econômicos" de seu governo, sobretudo a política tarifária contestada até pela Suprema Corte, e justificar a pressão sobre o Irã, que, segundo ele, desenvolveu mísseis capazes de atingir a Europa e os EUA.

"Ao longo do tempo, acredito que as tarifas pagas por países estrangeiros, como no passado, substituirão substancialmente o moderno sistema de imposto de renda", declarou Trump, ignorando que as taxas alfandegárias, de fato, recaem sobre empresas importadoras.

O presidente fez questão de frisar que seguirá adiante com tarifas mais complexas que, segundo ele, não dependerão de aprovação do Congresso. O discurso foi feito na presença de quatro juízes da Suprema Corte, a mesma que definiu como ilegal o fato de Trump usar a Lei de Poderes Econômicos Emergenciais para aplicar tarifaços, decisão que o presidente definiu mais uma vez como "infeliz".

"Depois de apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que nos transformamos e não voltaremos para onde estávamos antes. Tivemos uma virada histórica. Nosso país voltou e não vai retroceder", disse o magnata, falando em uma "era dourada" nos EUA.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Trump abordou a imigração. O presidente afirmou que "nenhum imigrante ilegal entrou nos Estados Unidos no último ano", declaração recebida com aplausos dos republicanos, mas imediatamente contestada por vozes democratas.

As congressistas Ilhan Omar, de origem somali, e Rashida Tlaib, filha de palestinos, chamaram o mandatário de "mentiroso" e o acusaram de "matar americanos", em referência aos dois cidadãos assassinados em operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis, em janeiro.

O presidente respondeu prontamente, afirmando que as duas "deveriam se envergonhar", e prosseguiu com o discurso.

Guerras


Foi somente após 1h30 de pronunciamento que Trump mencionou a palavra "Ucrânia", no dia que marcou o quarto aniversário da invasão russa. "Resolvi oito guerras. Estamos trabalhando para resolver a nona, entre Rússia e Ucrânia", afirmou, elogiando o trabalho de seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner.

Em seguida, voltou sua atenção ao Irã. "Prefiro resolver a questão com a diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o Irã tenha armas nucleares", declarou Trump, que, em junho passado, havia garantido que os bombardeios americanos tinham "obliterado" o programa atômico do país persa.

Trump também alertou que Teerã "já desenvolveu mísseis capazes de atingir a Europa e os Estados Unidos". O presidente fez ainda uma breve menção à Venezuela, afirmando que o país se tornou um "amigo e parceiro" desde a remoção de Nicolás Maduro do poder.