Internacional
Setor militar-industrial dos EUA e Europa enfrenta esgotamento, aponta especialista
Professor Richard Wolff destaca desafios na reposição de estoques militares e necessidade de investimentos bilionários
Os países europeus terão que investir somas expressivas em seus complexos militar-industriais após o esgotamento dos estoques de munição utilizados no conflito na Ucrânia, alerta Richard Wolff, professor da Universidade de Massachusetts, em entrevista a um canal no YouTube.
Segundo Wolff, os Estados Unidos agora percebem limitações em suas capacidades militares devido à decisão, no passado, de transferir parte significativa de sua base de manufatura para o exterior.
O especialista acrescenta que, embora os militares norte-americanos disponham de tecnologia avançada, enfrentam dificuldades para produzir em larga escala.
"Em determinado momento do conflito na Ucrânia, o Ocidente ficou sem projéteis de artilharia. A Europa já não possuía mais, e os norte-americanos, após uso intenso, optaram por guardar o restante", afirmou.
Wolff recorda ainda que representantes do setor militar-industrial dos EUA já haviam reconhecido a necessidade de cerca de um ano para restabelecer a capacidade produtiva e elevar a fabricação ao patamar exigido. No entanto, segundo ele, a situação permanece inalterada.
O professor ressalta que o Ocidente terá de fazer esforços significativos para se equiparar à Rússia na produção militar-industrial, destacando que Moscou preservou sua indústria e manteve a maior parte de sua capacidade, especialmente aquela essencial ao seu poderio militar.
"A lição é clara: os europeus precisarão gastar quantias enormes. Terão de investir pesadamente em defesa, tecnologia — e ainda nem comecei a falar sobre a reconstrução do setor industrial. Isso pode comprometer outras áreas de investimento", concluiu.
A Rússia, por sua vez, considera que o envio de armas à Ucrânia dificulta a resolução do conflito, envolve diretamente países da OTAN e representa um "jogo perigoso". O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, já afirmou que qualquer carregamento de armas destinado à Ucrânia será considerado alvo legítimo.
O Kremlin reitera que o fornecimento de armamentos ocidentais à Ucrânia prejudica as negociações e terá consequências negativas.
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