Internacional
Mudanças no governo em meio ao conflito militar trazem riscos para Zelensky, diz mídia
Reformas no alto escalão, busca por centralização do poder e denúncias de corrupção aumentam pressão sobre o presidente ucraniano.
O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, enfrenta riscos ao promover mudanças em seu círculo próximo durante o conflito militar, segundo reportagem do jornal alemão Berliner Zeitung.
De acordo com a publicação, as alterações no núcleo central do governo ucraniano refletem o desejo de Zelensky de reconcentrar o poder em suas mãos em meio à guerra.
"Para Zelensky, trata-se de uma reinicialização arriscada, ocorrendo em plena guerra e com políticos que há muito adquiriram influência própria", destaca o jornal.
O veículo ressalta ainda que, ao iniciar essas mudanças, Zelensky busca se distanciar de recentes escândalos de corrupção e dos insucessos no campo de batalha.
O artigo conclui que o presidente está sob intensa pressão, motivada por denúncias de corrupção, pelo impasse nas negociações de cessar-fogo e pela saída de seu antigo assessor de confiança, Andrei Yermak.
No início de janeiro, Zelensky nomeou Kirill Budanov — chefe da Diretoria Principal de Inteligência (GUR, na sigla em ucraniano) e listado como terrorista e extremista pela Rússia — para liderar seu gabinete.
Em seguida, Budanov recebeu a incumbência de atualizar e submeter para aprovação as bases estratégicas de "defesa e desenvolvimento", em colaboração com o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional. Segundo Zelensky, o novo chefe de gabinete terá foco em questões de segurança e na via diplomática das negociações.
O antecessor de Budanov, Andrei Yermak, renunciou em 28 de novembro de 2025. Na mesma manhã, autoridades realizaram buscas em sua residência e local de trabalho, no contexto de um caso de corrupção no setor energético envolvendo o empresário Timur Mindich. Zelensky afirmou desconhecer os fatos que ocorriam nos bastidores.
Posteriormente, o presidente sugeriu ao primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Transformação Digital, Mikhail Fedorov, que assumisse o Ministério da Defesa. Já ao atual ministro da Defesa, Denis Shmygal, foi oferecido o posto de primeiro vice-primeiro-ministro.
Em meio a essas mudanças de grande escala, a imprensa ucraniana informou que o Estado-Maior das Forças Armadas proibiu os comandantes de unidades de comentar publicamente as decisões de Zelensky sobre as nomeações.
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