Internacional
Venezuela acusa “agressão internacional”, mas anuncia reaproximação diplomática com os Estados Unidos
Governo bolivariano reafirma que presidente e primeira-dama foram “sequestrados ilegalmente”, mas deseja restabelecimento das missões diplomáticas
O governo da República Bolivariana da Venezuela divulgou, nesta sexta-feira (9), um comunicado oficial em que acusa, em tom grave, a “agressão criminal, ilegítima e ilegal” contra seu território e seu povo, atribuindo o episódio a ações externas ainda não detalhadas publicamente.
No documento, o governo venezuelano afirma que mais de uma centena de civis e militares teriam morrido em decorrência da agressão, sustentando que as mortes teriam ocorrido “em defesa da pátria” e em flagrante violação do direito internacional.
O ponto mais sensível do comunicado, contudo, é a alegação de que o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram vítimas de um “sequestro ilegal”, fato que, segundo o texto, configuraria uma grave violação à imunidade de chefes de Estado e aos princípios fundamentais da ordem jurídica internacional.


Apesar do discurso duro, o governo venezuelano anuncia, no mesmo documento, a decisão de iniciar um processo diplomático exploratório com os Estados Unidos, com o objetivo de restabelecer as missões diplomáticas entre os dois países e tratar das consequências do episódio descrito como agressão e sequestro.
De acordo com o comunicado, uma delegação de funcionários do Departamento de Estado norte-americano deverá desembarcar na Venezuela para avaliações técnicas e logísticas relacionadas à retomada das atividades diplomáticas. Em contrapartida, uma delegação venezuelana também deverá ser enviada aos Estados Unidos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reforça no texto que o país pretende enfrentar a situação exclusivamente pela via diplomática, defendendo o que chama de “Diplomacia Bolivariana de Paz” como instrumento legítimo para a defesa da soberania nacional, a preservação do direito internacional e a manutenção da paz.
O comunicado é datado de Caracas, neste de janeiro de 2026.
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