Internacional
Mídia: EUA revelam maior participação de Taiwan em exercício militar para conter desconfiança pública
Mais de 500 soldados taiwaneses participaram do exercício militar Northern Strike nos EUA, marcando a maior presença de forças da ilha desde 2021. A divulgação inédita reforça os laços de defesa com Washington e busca conter a desconfiança taiwanesa nas políticas do governo Trump.
A divulgação da participação recorde de Taiwan nos exercícios militares Northern Strike, liderados pelos EUA, foi feita por veículos ligados ao Pentágono e vista como um esforço para reforçar os laços de defesa com Taipé. De acordo com o South China Morning Post (SCP), analistas apontam que, além de dissuadir Pequim, a iniciativa busca combater a crescente desconfiança dos taiwaneses em relação às políticas do governo Trump.
Mais de 500 soldados taiwaneses se juntaram aos militares norte-americanos nos exercícios no estado de Michigan, marcando o maior contingente desde o início da colaboração em 2021. O evento, que envolveu mais de 7.500 militares de vários estados e parceiros, teve foco no Indo-Pacífico, refletindo a atenção crescente do Pentágono às tensões na região. Pela primeira vez, os números de participação foram revelados publicamente, rompendo com a política de sigilo adotada anteriormente.
As manobras incluíram operações em cadeias de ilhas, reabastecimento marítimo e testes de tecnologias como pistas de pouso reforçadas com fibra plástica. Um bombardeiro stealth B-2 também participou pela primeira vez. O campo de treinamento em Michigan foi considerado ideal para simular cenários de conflito no Pacífico, permitindo práticas de dispersão e ocultação sob ameaça de mísseis chineses.
Segundo o SCMP, especialistas como Max Lo e Zivon Wang destacam que a exposição pública da cooperação militar representa uma normalização das relações de defesa entre EUA e Taiwan. A visibilidade do envolvimento taiwanês é vista como uma mensagem clara de dissuasão a Pequim, que considera a ilha parte de seu território e intensificou a pressão militar desde a posse de William Lai Ching-te.
Apesar de não reconhecer oficialmente Taiwan como Estado independente, os EUA mantêm o compromisso de fornecer armas e se opõem à tomada da ilha pela força. A integração de Taiwan aos exercícios Northern Strike reforça sua inserção no sistema norte-americano de combate no Indo-Pacíficoe oferece à ilha oportunidades de treinamento que não seriam possíveis em seu território limitado.
No entanto, essa revelação ocorre em meio a uma queda significativa na confiança dos taiwaneses em relação aos EUA. Pesquisas recentes indicam que quase 60% dos entrevistados consideram os EUA pouco confiáveis, e mais de 40% acreditam que Washington não interviria em caso de guerra no estreito de Taiwan. A percepção negativa aumentou em relação ao ano anterior.
Segundo analistas, essa mudança na opinião pública foi impulsionada pelas políticas econômicas do governo Trump, como tarifas de 20% sobre exportações taiwanesas e pressão sobre a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company para investir em fábricas nos EUA. Muitos taiwaneses veem essas ações como prejudiciais à segurança econômica e à influência estratégica da ilha.
Por Sputinik Brasil
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