Internacional
Maduro suspende custódia do Brasil sobre embaixada da Argentina em Caracas, diz jornal
No local estão abrigados seis colaboradores da líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, acusados de terrorismo, associação criminosa e traição à pátria
O governo da Venezuela teria revogado a autorização para que a embaixada da Argentina em Caracas tenha custódia do do Brasil no país. A informação foi divulgada nas redes sociais na noite de sexta-feira pelo jornalista Alejandro Hernández, que disse que “fontes confiáveis indicaram que o regime de Nicolás Maduro” tomou a decisão — o que explicaria, afirmou, o cerco do local por homens encapuzados também na noite de sexta, conforme denunciado pela oposição.
Na mesma publicação, o jornalista questionou se a decisão da administração chavista teria sido feita em resposta às declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mais cedo no mesmo dia disse achar que o comportamento de Maduro “deixou a desejar”. O petista voltou a dizer que não reconhece a vitória de Maduro ou da oposição, e cobrou mais uma vez a entrega das atas eleitorais, com detalhes por urna de votação, o que o governo chavista se negou a fazer.
— Ali só tinha uma solução: ou fazer uma nova eleição ou fazer uma coalizão para que se pudesse conviver democraticamente — disse Lula, lembrando que seu governo é formado por partidos que não apoiaram sua eleição. — O Maduro, como presidente, deveria falar o seguinte: ‘Vou provar que eu sou o preferido do povo’. Mas ele não faz — acrescentou.
A informação de que a Venezuela cancelou a licença do Brasil para custodiar a embaixada argentina em Caracas foi confirmada à CNN por interlocutores da oposição venezuelana e por diplomatas brasileiros. Segundo publicado pelo jornal, o Itamaraty já teria sido informado extraoficialmente pelo governo de Maduro. Procurado pelo GLOBO, o órgão ainda não se manifestou sobre o assunto.
No final de julho, a Argentina pediu para o Brasil assumir a representação de seus interesses na Venezuela, após o governo venezuelano expulsar as equipes diplomáticas de ao menos sete países que questionaram os resultados das eleições presidenciais. Na embaixada argentina em Caracas estão abrigados seis colaboradores da líder da oposição na Venezuela, María Corina Machado, acusados de terrorismo, associação criminosa e traição à pátria.
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