Internacional
Marrocos declara três dias de luto oficial por terremoto que deixou milhares de vítimas
Mesquitas, torres e edifícios desabaram depois que um forte abalo sísmico de magnitude 6,8 foi sentido no país e em partes de Espanha, Portugal e Argélia
O Marrocos declarou neste sábado três dias de luto nacional após o forte terremoto que abalou o país na madrugada de sexta-feira para sábado e provocou mais de mil mortos, anunciou o gabinete real. Mesquitas, torres e edifícios desabaram depois que um forte abalo sísmico de magnitude 6,8, sentido no país e em partes de Espanha, Portugal e Argélia, que teve seu epicentro em uma região perto da cidade turística de Marrakech.
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"Decidimos um luto nacional de três dias, com bandeiras a meio mastro em todos os edifícios públicos", afirmou a casa real em comunicado, publicado pela agência marroquina MAP, após uma reunião presidida pelo rei Mohamed VI.
O tremor provocou o desabamento de vários edifícios, principalmente nas províncias e municípios de Al-Haouz, Tarundant, Chichaoua, Ouarzazate e Marrakech, uma popular cidade turística com 840 mil habitantes. As mulharas históricas da cidade, primeiramente construídas no início do século 12, ficaram danificadas.
O terremoto foi sentido até na capital Rabat, a centenas de quilômetros de distância, em cidades costeiras como Casablanca ou Essaouira e mesmo em várias províncias do oeste da vizinha Argélia, onde as autoridades descartaram danos ou vítimas.
Na cidade de Moulay Brahim, em Al-Haouz, as equipes de resgate trabalhavam neste sábado em busca de sobreviventes nos escombros. Perto dali, vizinhos cavavam valas em uma colina para enterrar as vítimas, segundo uma equipe da AFP presente no local.
As autoridades mobilizaram "todos os recursos necessários para intervir e ajudar nas zonas afetadas", disse o Ministério do Interior. Já o Exército marroquino mobilizou "importantes recursos humanos e logísticos, aéreos e terrestres", como equipes de busca e resgate e um hospital de campanha em Al-Haouz, informou a agência estatal de notícias MAP. Por causa do "enorme fluxo" de feridos nos hospital de Marrakech, o centro de transfusão de sangue local lançou um apelo por doações.
Em Marrakech, marroquinos visivelmente atordoados inspecionavam os danos nas suas casas entre pilhas de escombros, poeira e carros esmagados por pedras.
— Sentimos um tremor muito violento, percebi que era um terremoto — disse Abdelhak el Amrani, um morador de Marrakech, de 33 anos, à AFP em entrevista por telefone. — Vi os prédios se movendo. Não temos reflexos para esse tipo de situação. Então saí e havia muitas pessoas do lado de fora. Estavam chocadas e em pânico. As crianças choravam, os pais estavam indefesos — disse Amrani.
'Entramos em pânico'
Vídeos gravados em Marrakech mostram moradores deixando edifícios aterrorizados em meio aos tremores, destroços caindo de edifícios em vielas estreitas e veículos cobertos de pedras. Um deles mostra o desabamento de minarete de uma mesquita na praça Jemaa el-Fna, coração de Marrakech, deixando dois feridos.
Um correspondente da AFP viu centenas de pessoas passando a noite nessa praça emblemática por medo de tremores secundários. Alguns dormiam sobre cobertores, enquanto outros diretamente no chão.
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— Andávamos pela Jemaa el-Fna quando o chão começou a tremer, foi uma sensação realmente surreal. Estamos sãos e salvos, mas ainda chocados — explicou Houda Outassad, morador da cidade, à AFP na praça. —Tenho pelo menos dez parentes que morreram em Ijoukak (uma cidade rural em al-Haouz). Acho difícil acreditar [que morreram] porque estive com eles há menos de dois dias.
Mimi Theobald, uma turista inglesa de 25 anos, estava com alguns amigos prestes a comer sobremesa na esplanada de um restaurante “quando as mesas começaram a tremer, os pratos a voar”.
— Entramos em pânico — disse.
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