Internacional
Líder de milícia de extrema direita Proud Boys aguarda sentença por ataque ao Capitólio nos EUA
Henry "Enrique" Tarrio não estava presente durante o tumulto, mas foi considerado culpado por ter orquestrado a invasão à sede do Legislativo americano
O líder do grupo de extrema direita americano Proud Boys, Henry "Enrique" Tarrio, receberá a sentença nesta terça-feira pela condenação referente ao seu papel no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele respondia por sedição, obstrução da Justiça, conspiração, desordem civil e destruição de propriedade do governo, condutas que levaram os promotores a pedirem 33 anos de prisão.
Ofensiva: Investigadores descobrem novo grupo de extrema direita que tentou burlar eleições em favor de Donald Trump
Ameaças: FBI investiga encontro de líderes de milícias de extrema direita na véspera do ataque ao Capitólio
Tarrio, de 39 anos, não estava presente em Washington no momento do tumulto. Ele havia sido detido no início daquele mês ao chegar na capital por ter queimado uma faixa do movimento Black Lives Matter num confronto semanas antes, e portava um carregador de munição de alta capacidade no momento da prisão, o que é considerado ilegal pela legislação local. O extremista foi solto sob fiança e obrigado a deixar a cidade.
Durante o ataque à sede do Legislativo americano, ele assistiu ao caos de dentro de um quarto de hotel na vizinha Baltimore. Enquanto os extremistas tomavam o Capitólio, Tarrio pediu aos manifestantes que não fossem embora. Em um post nas redes sociais, ele escreveu: "Depois que eu terminar de assistir a isso, farei uma declaração sobre minha prisão... Mas, por enquanto, estou curtindo o show... Façam o que deve ser feito".
No julgamento de Tarrio e de quatro outros Proud Boys no início do ano, a Promotoria apresentou uma longa lista de mensagens de texto, publicações em mídias sociais e vídeos como prova de uma conspiração coordenada para tentar impedir a certificação do resultado da eleição, vencida pelo democrata Joe Biden, naquela tarde.
A defesa argumentou que o grupo era pouco organizado, em sua maioria não violento, e que não havia um plano preconcebido para invadir o prédio.
O grupo de extrema direita, exclusivamente masculino, foi fundado em 2016 por Gavin McInnes, co-criador da Vice que abandonou a empresa de mídia digital para se tornar comentarista e podcaster de extrema direita. Além de adotar um discurso anti-imigrantes, o Proud Boys possui um histórico de violência contra militantes de esquerda anti-fascistas.
Antes do ataque: Grupo extremista Proud Boys comemora menção feita por Trump em debate com Biden
No dia 6 de janeiro de 2021, o Senado dos EUA realizaria uma sessão protocolar para confirmar a vitória de Joe Biden na eleição presidencial de novembro do ano anterior, sobre o então presidente, Donald Trump. Contudo, o republicano não aceitou a derrota, e lançou uma campanha de desinformação contra o processo eleitoral e acusando Biden de liderar uma ampla fraude em estados onde Trump perdeu, como a Geórgia e o Arizona.
Horas antes do ataque, Trump fez um discurso inflamado a cerca de 1 km do Capitólio, onde, além das acusações infundadas de fraude, sugeriu que seus apoiadores fossem até a sede do Legislativo protestar contra a confirmação de Biden. Entre os manifestantes, que levavam bandeiras de Trump e cartazes pedindo a prisão de Mike Pence, então vice-presidente, estavam os Proud Boys. Mas as investigações vêm mostrando que o papel dos Proud Boys não ficou restrito a gritos contra o sistema e a favor de Trump.
“No dia 6 de janeiro de 2021, os réus dirigiram, mobilizaram e lideraram integrantes da multidão para o interior do Capitólio, derrubando barricadas de metal, destruindo propriedade privada, invadindo o prédio do Congresso e atacando agentes da Lei”, diz o comunicado do Departamento de Justiça. “Durante e depois do ataque, Tarrio e os demais réus receberam o crédito pelo que tinha acontecido, em redes sociais e em uma sala de chat criptografada.”
Apoiadores de Trump: Quem eram os grupos que invadiram o Capitólio e como eles se articularam por semanas na internet
Segundo o site Politico, a acusação incluiu uma conversa de Tarrio com uma pessoa não identificada na qual fez uma analogia entre a invasão ao Capitólio e a queda do Palácio de Inverno, um dos eventos principais da Revolução Russa de 1917. Os promotores também apresentaram provas de que o réu planejava invadir outros prédios do governo federal naquele mesmo dia.
As sentenças contra membros do Proud Boys estão entre as mais longas dadas aos extremistas que invadiram o Capitólio, que incluem o grupo extremista Oath Keepers. Trump, que também é investigado pelo seu envolvimento na tentativa de reverter o resultado do pleito, já afirmou em mais de uma ocasião que concederia perdão aos acusados pelo ataque caso seja eleito presidente em 2024.
Mais de 1.100 pessoas foram presas até o momento por envolvimento no ataque ao Capitólio, resultando em 630 confissões de culpa e mais de 110 condenações. Cerca de 500 réus foram condenados à prisão ou prisão domiciliar.
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
2JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
3EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova
-
4ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
5RESGATE NO LITORAL PAULISTA
Mulher resgatada após mais de 40 horas no mar recebe alta: 'Continuem orando pelo meu colega'