Internacional
Sem citar Rússia, declaração final de cúpula UE-Celac demonstra 'profunda preocupação' com guerra na Ucrânia
Linguagem sobre menção ao conflito foi tema que gerou mais controvérsia entre os líderes na cúpula na Bélgica
A Cúpula da União Europeia (UE) com os países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) chegou ao fim nesta terça-feira sem um consenso sobre a condenação da Rússia por sua invasão na Ucrânia, que já dura quase 18 meses. O texto final do encontro na Bélgica, que teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não cita o nome do país de Vladimir Putin, mencionando apenas "preocupações profundas" com a guerra na Ucrânia.
O texto de dez página adotado quase por consenso (houve uma ressalva da Nicarágua, onde retrocessos democráticos geram preocupação internacional) trata da guerra em um parágrafo. A linguagem sobre o conflito no Leste Europeu foi o tema que gerou mais controvérsia entre os líderes para que houvesse um acordo final.
"Expressamos profunda preocupação com a guerra atual contra a Ucrânia, que continua a causar imenso sofrimento humano e exacerba fragilidades existentes na economia global, impedindo o crescimento, aumentando a inflação, interrompendo cadeias de suprimento, aumento a insegurança energética e alimentar e elevando o risco de estabilidade financeira", diz o texto, em que as nações dizem apoiar a "necessidade de uma paz justa e sustentável".
Em seguida, os 60 países que compõe os dois grupos — 33 latino-americanos e 27 europeus — ressaltam seu "apoio à Iniciativa de Grãos no Mar Negro e os esforços do Conselho de Segurança da ONU para garantir sua extensão". O texto continua afirmando seu apoio a "todos os esforços diplomáticos que buscam uma paz justa e sustentável em linha com a Carta da ONU".
A Rússia suspendeu a iniciativa dos grãos, um raro consenso entre russos e ucranianos, recusando-se a prorrogá-la após sua expiração nesta terça. A decisão de Moscou foi anunciada na segunda, após um ataque contra a estratégica e simbólica ponte sobre o Estreito de Kerch, que liga o território russo à Península da Crimeia, ocupada desde 2014. Kiev não assume a responsabilidade, adotando uma política de ambiguidade que tem sido rotineira sobre assaltos contra o território russo.
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