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Senado dos EUA aprova Daniel Perez como embaixador sem aval do Brasil
Nome do indicado recebeu 51 votos favoráveis entre tensões diplomáticas.
Indicado de Donald Trump foi confirmado por 51 votos a 47, mas ainda precisa do agrément do Itamaraty em meio à crise diplomática entre os países.
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador americano no Brasil. O nome do republicano foi confirmado com 51 votos a favor e 47 contra, dentro de um pacote que incluía outras 73 nomeações para cargos diplomáticos e para a administração do governo Trump.
Com a aprovação, Perez conclui a etapa legislativa do processo nos Estados Unidos, mas ainda depende do agrément do governo brasileiro — a autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma oficialmente o posto. O cargo permanece vago desde janeiro de 2025, quando Trump iniciou seu segundo mandato, e a embaixada americana em Brasília é atualmente chefiada por um encarregado de negócios.
A indicação de Perez se tornou o principal foco da crise diplomática atual entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano acusa Brasília de atrasar deliberadamente a concessão do agrément, enquanto o Itamaraty afirma que o anúncio público da indicação antes da conclusão das consultas diplomáticas rompeu o protocolo tradicional e adicionou tensão ao processo.
O impasse se agravou nesta semana, quando o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando que isso era uma resposta à demora na autorização para a nomeação de Perez.
A decisão de Washington também levou em conta outros incidentes diplomáticos entre os países, como a recusa do Itamaraty em conceder visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA que viajaram ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. Os dois foram citados por uma reportagem do jornal The Washington Post, que sugeriu que eles eram integrantes de uma estratégia para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O governo Lula classificou a decisão como uma escalada das tensões bilaterais e afirmou que pretende deixar a análise de novos embaixadores estrangeiros para depois das eleições presidenciais de outubro, o que mantém indefinido o futuro do indicado de Trump.
Daniel Perez, deputado estadual da Flórida e filho de imigrantes cubanos, foi escolhido por Trump em junho. Durante sua sabatina no Senado, ele afirmou que os Estados Unidos enfrentam "desafios de segurança reais" no Brasil, citando a atuação de organizações criminosas transnacionais e a crescente influência de potências externas na região.
Por Sputinik Brasil
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