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FecomercioSP: mercado de trabalho apoia otimismo do consumidor, apesar de juros e inflação
A confiança do consumidor na cidade de São Paulo recuou em julho, mas permaneceu em patamar de otimismo, sustentada pelo mercado de trabalho. Ainda assim, a combinação de juros elevados, inflação concentrada em itens essenciais e alto comprometimento da renda vem levando as famílias a adotar uma postura mais criteriosa nas decisões de compra, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 2% em julho ante junho, para 121,6 pontos, mas avançou 11,6% na comparação com julho de 2022. Para a entidade, "o mercado de trabalho continua sustentando a renda e evitando uma deterioração mais intensa das expectativas, porém esse impulso já não se traduz na mesma intensidade em aumento do consumo".
Na leitura por grupos, a queda mensal atingiu todos os segmentos, com destaque para famílias com renda de até dez salários mínimos (-2,6%), homens (-2,5%) e consumidores com menos de 35 anos (-2,1%). No comparativo anual, todos registraram alta, com maiores variações entre homens (13,3%), menos de 35 anos (12,9%) e até dez salários mínimos (12,4%), sinalizando maior sensibilidade desses grupos a emprego, renda, inflação e crédito.
Entre os subíndices, o Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) teve recuo de 3,1%, a 114 pontos, mas registrou alta de 11% na comparação anual. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC) caiu 1,4% na margem, para 126,7 pontos, mas avançou 12% na métrica anual. Para a FecomercioSP, o movimento indica uma avaliação mais cautelosa tanto do presente quanto dos próximos meses, ainda que os níveis permaneçam acima da linha de otimismo.
ICF recua pela quarta vez seguida
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 0,4% em julho, para 112,3 pontos, na quarta retração consecutiva, embora tenha avançado 6,3% no ano. Na avaliação da entidade, a sequência de quedas reforça que a confiança elevada não tem sido suficiente para impulsionar o consumo com a mesma intensidade: as famílias mantêm disposição para consumir, mas priorizam gastos essenciais e postergam compras de maior valor.
Para a entidade, o quadro ajuda a explicar um varejo com crescimento moderado, marcado por consumidores mais seletivos, com maior planejamento financeiro, pesquisa de preços e comparação entre canais físicos e digitais. Nesse ambiente, a Federação recomenda às empresas aprofundar o conhecimento do perfil do cliente, reforçar segmentação e fidelização e preservar capital de giro, já que estratégias baseadas apenas em descontos tendem a ter efeito limitado com crédito caro.
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