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Autismo + Outras condições: Entenda como a dupla excepcionalidade dificulta o diagnóstico de TEA

A combinação dos sintomas de TEA com sintomas de outras condições pode tornar o diagnóstico ainda mais complexo, reforça a neuropsicóloga Dra. Karliny Uchôa

iMF Press Global 07/08/2026
Autismo + Outras condições: Entenda como a dupla excepcionalidade dificulta o diagnóstico de TEA

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) já é, por si só, uma condição complexa, com diferentes graus de manifestação e variados perfis de funcionamento, exige atenção detalhada para ser identificado com precisão.

Mas quando o autismo vem acompanhado de outras características cognitivas ou condições clínicas, o processo de diagnóstico pode se tornar ainda mais desafiador, esse é o caso da chamada dupla excepcionalidade, tema abordado pela neuropsicóloga Dra. Karliny Uchôa, um dos destaques da edição de abril da revista do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito).

O que é a dupla excepcionalidade?
A dupla excepcionalidade ocorre quando uma pessoa apresenta, simultaneamente, uma condição do neurodesenvolvimento (como o TEA) e habilidades cognitivas acima da média, frequentemente associadas à superdotação.

Nesses casos, tanto os desafios quanto os potenciais tendem a ser interpretados de maneira fragmentada, dificultando o reconhecimento do perfil completo da criança.

“Nem sempre uma criança muito inteligente vai se comunicar ou interagir com facilidade, algumas vezes, o alto desempenho intelectual mascara dificuldades sociais significativas. Em outras situações, as dificuldades emocionais e comportamentais acabam ofuscando o potencial cognitivo”, explica a Dra. Karliny.

Condições que podem estar presentes
Além da superdotação, outras condições podem coexistir com o autismo e impactar o diagnóstico, entre elas, estão o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtornos de linguagem, dislexia, ansiedade e até quadros depressivos em fases mais avançadas.

Essa sobreposição de sintomas exige um olhar clínico cuidadoso, com avaliação neuropsicológica completa e escuta atenta ao contexto familiar e escolar da criança.

De acordo com a especialista, em muitos casos, o diagnóstico de TEA em crianças com dupla excepcionalidade só ocorre após prejuízos nas relações sociais ou queda de rendimento escolar.

“Quando conseguimos identificar o conjunto de características de forma integrada, temos mais condições de oferecer intervenções eficazes e adaptadas à realidade daquela criança. Isso significa promover o desenvolvimento do potencial e, ao mesmo tempo, minimizar os impactos das dificuldades”, reforça a neuropsicóloga.

Atenção aos sinais
A atenção aos sinais, mesmo quando aparentemente contraditórios, e a valorização da individualidade no processo diagnóstico são passos fundamentais para garantir o suporte adequado às crianças com dupla excepcionalidade.

Na avaliação da Dra. Karliny Uchôa, reconhecer a existência e os desafios desse perfil é também um exercício de empatia.

“Estamos falando de crianças que vivem com a sensação de não se encaixar por inteiro em nenhum lugar. Por isso, quando há compreensão e acolhimento, o impacto positivo é enorme”.