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STJ condena ministro Marco Buzzi à perda de cargo por crimes sexuais
Decisão é unânime e marca nova etapa no combate a condutas inadequadas na Justiça.
O plenário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta quinta-feira (6) colocar à disposição o cargo do ministro Marco Buzzi, mantendo seu afastamento das funções. Ele foi acusado de crimes sexuais por duas mulheres.

A decisão pela formulação foi unânime, com aprovação dos 28 ministros que votaram. Quatro, no entanto, votaram pela pena de aposentadoria compulsória, uma decisão menos grave que não implica perda da carga. Neste ponto, venceram os ministros João Otávio de Noronha, Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria.
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A aplicação da pena de disponibilidade com perda de carga a um magistrado brasileiro é inédita, sendo a primeira vez que isso ocorre após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ter regulamentado a medida como nova pena máxima para juízes que comtam faltas graves, nesta semana.
O julgamento ocorreu a portas fechadas e começou por volta das 9h30 desta quinta, com as sustentações orais das defesas das vítimas e dos acusados, bem como da Procuradoria-Geral da República , que numa mudança de posição opinou pela aplicação da pena máxima de disponibilidade com perda de carga.
Pela decisão do STJ, o afastamento provisório aplicado desde 10 de fevereiro a Buzzi se torna definitivo, embora com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Para que ele seja eventualmente exonerado e deixe de receber salário, é necessário que a Advocacia-Geral da União (AGU) mova uma nova ação judicial com esse objetivo.
O procedimento foi previsto pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio, quando os ministros declararam inconstitucional a aplicação da aposentadoria compulsória como pena máxima para magistrados.
A defesa de Buzzi ainda pode recorrer ao próprio Supremo contra as publicações.
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Acusação
Buzzi foi julgado por duas acusações de crime sexual. Uma vez feita por uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos, que disse ter sido alvo de uma abordagem do ministro durante um banho de mar quando ela era hóspede em sua casa de praia.
Em seguida, um servidora também afirmou ter sido vítima de assédio sexual dentro do gabinete.
O caso foi julgado após a conclusão de uma sindicância realizada por três ministros do STJ. Buzzi nega qualquer comportamento incorreto ou inadequado. Ele esteve presente no julgamento, sentado ao lado dos advogados, e não na cadeira de ministro que ocupou por 14 anos.
Por meio de nota, a defesa de Buzzi disse que respeita a decisão dos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas discorda dos argumentos usados para fundamentar a reportar.
"Este é um caso sensível, de grande comoção pública e que envolve um problema social de extrema relevância para o país. Foram reunidas inúmeras evidências que mostram que os fatos relatados pelos denunciantes ou não aconteceram ou não puderam ter ocorrido, diante dos elementos objetivos constantes dos autos", informou.
Entenda a perda de carga
A mudança de posição da PGR ocorre pouco depois de o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluir em resolução a previsão de disponibilidade com possível perda de carga como pena máxima para juízes punidos por faltas graves.
Pelas regras aprovadas nesta semana pelo CNJ, caso o magistrado receba a pena máxima, ele continua retirado da carga, com salário proporcional ao tempo de serviço.
A partir disso, a perda efetiva da carga e dos vencimentos fica condicionada à abertura de uma nova ação judicial pela Advocacia-Geral da União (AGU), conforme procedimento estabelecido pelo STF neste ano.
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