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CPTM pede liberação para trem que ligará litoral de SP ao interior
Novo projeto visa reativar a ferrovia após quase 30 anos.
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) já solicitou uma licença ambiental para iniciar a construção do trem que ligará o litoral de São Paulo ao interior. Nesta quinta-feira, 6, a Companhia Ambiental do Estado (CETESB) solicitou a apresentação de um estudo de impacto ambiental antes de autorizar o projeto bilionário. Não há prazo estimado para a obtenção do aval.
Após quase 30 anos, os trens de carga e passageiros podem voltar a circular pelos trilhos entre Santos, na Baixada Santista, e Cajati, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.
Como informou o Estadão , os 223,6 km de malha ferroviária passarão por seis cidades da Baixada Santista até Peruíbe, e servirão sete cidades do Vale do Ribeira até Cajati. A estimativa é transportar 32 mil passageiros e 600 contêineres por dia.
O custo total do empreendimento deve variar entre R$ 19 e R$ 21 bilhões. Futuramente, a intenção é integrar o sistema ao Trem Intercidades Santos-São Paulo, conectando a capital, o litoral e o interior.
Como será o percurso
A nova linha contará com trens expressos e paradores. O tempo estimado para o trajeto do serviço expresso será de 2 horas e 20 minutos. Já os trens paradores fazem o percurso de Santos a Peruíbe em 48 minutos e de Peruíbe a Cajati em 1 hora e 56 minutos.
Segundo a CPTM, entre os benefícios da nova ferrovia está a redução dos congestionamentos nas vias do litoral e na rodovia Régis Bittencourt (BR-116), além da possibilidade de diminuição de acidentes.
De Santos a Peruíbe, em uma extensão de aproximadamente 80 km, a via será elevada. O trem partirá de uma altitude de 2 metros, no centro histórico de Santos, e chegará a 75 metros, em Cajati.
O plano inclui a construção de parques lineares, ciclovias e estacionamentos para banhistas sob a linha, que seguirão paralelamente às praias.
Os trilhos já existentes no trajeto passarão por uma análise técnica e, quando viável, serão recuperados para o reaproveitamento da malha ferroviária já existente. A reportagem do Estadão apurou que, em muitos trechos, especialmente na Baixada Santista, uma antiga linha férrea foi ocupada irregularmente.
Em novembro de 2018, uma vistoria do Ministério Público Federal (MPF) constatou a presença de construções clandestinas e até plantações de banana sobre a linha férrea.
Algumas estações que foram depredadas ou sofreram danos na estrutura devido ao abandono precisarão ser reconstruídas ou substituídas por edificações novas.
O abandono da linha levou a prefeitura de Mongaguá a solicitar à União a doação de 13 km de área pública ocupada pela linha férrea desativada na área urbana do município.
Prefeitos da região vêm se mobilizando há anos pela reativação da ferrovia. Alberto Mourão (MDB), prefeito de Praia Grande, defendeu a utilização da linha para o transporte de passageiros e mercadorias até o Porto de Santos. Cerca de 50 mil pessoas se deslocam diariamente da cidade para Santos. “Nossa preocupação é com o estado de abandono que traz reflexos para o município”, afirma.
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