Geral

PGR pede perda de cargo para ministro do STJ acusado de crime sexual

Mudança de posição da PGR ocorre após novas normas do CNJ.

Agência Brasil 06/08/2026
PGR pede perda de cargo para ministro do STJ acusado de crime sexual
PGR solicita perda de cargo de ministro do STJ por acusação de crime sexual.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quinta-feira (6) a perda de carga do ministro Marco Buzzi , do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi julgado por importunação sexual .

O posicionamento, feito em sustentação oral, é uma mudança em relação às considerações finais apresentadas anteriormente, por escrito, pelo subprocurador-geral da República José Adonis . Ele havia opinado pela aposentadoria compulsória, com vencimentos proporcionais.

Notícias relacionadas:

O julgamento a portas fechadas começou por volta das 9h30 e ocorre no plenário do STJ, que é composto por 33 ministros, sendo um deles o próprio Buzzi. Há ainda duas cadeiras vagas por aposentadoria. A ministra Isabel Galloti, por sua vez, se declarou suspeita.

Até o momento, fez a sustentação oral das defesas das vítimas e do acusado, bem como a acusação. O julgamento segue em andamento.

Acusação

Buzzi é julgado por duas acusações de crime sexual. Uma vez feita por uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos, que disse ter sido alvo de uma abordagem do ministro durante um banho de mar quando ela era hóspede em sua casa de praia.

Em seguida, um servidora também afirmou ter sido vítima de assédio sexual dentro do gabinete.

O caso é julgado após a conclusão de uma sindicância realizada por três ministros do STJ. Buzzi nega qualquer comportamento incorreto ou inadequado .

Ele está presente no julgamento, sentado ao lado dos advogados, e não na cadeira de ministro que ocupa há 14 anos. Ele está afastado da carga desde 10 de fevereiro.

Em qualquer caso, absolvição ou denúncia, caberá recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entenda a perda de carga

A mudança de posição da PGR ocorre pouco depois de o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluir em resolução a previsão de disponibilidade com possível perda de carga como pena máxima para juízes punidos por faltas graves .

Pelas regras aprovadas nesta semana pelo CNJ, caso o magistrado receba a pena máxima, ele continua retirado da carga, com salário proporcional ao tempo de serviço.

A partir disso, a perda efetiva da carga e dos vencimentos fica condicionada à abertura de uma nova ação judicial pela Advocacia-Geral da União (AGU), conforme procedimento estabelecido pelo STF neste ano.