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Diplomatas avaliam relação Brasil-EUA como 'trincada' e denunciam 'chantagem' de Washington

Revogação do visto da embaixadora gera tensão nas relações diplomáticas

Sputnik Brasil 04/08/2026
Diplomatas avaliam relação Brasil-EUA como 'trincada' e denunciam 'chantagem' de Washington
Diplomatas brasileiros e norte-americanos enfrentam tensões nas relações diplomáticas. - Foto: © AP Photo / Jacquelyn Martin

A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiz Ribeiro Viotti, foi vista por diplomatas como uma "chantagem" de Washington, evidenciando a relação "trincada" entre a Casa Branca e o Planalto.

Segundo informações apuradas pelo portal G1, diversos diplomatas consideraram como "chantagem" a revogação do visto de Ribeiro Viotti, uma vez que os Estados Unidos condicionaram a normalização da permanência da embaixadora ao aval do Itamaraty para o novo embaixador norte-americano, Daniel Perez.

O indicado pelo governo dos Estados Unidos já teve sua aprovação em uma comissão do Senado e aguarda agora a chancela no plenário da Casa. Contudo, Washington não fez uma consulta prévia a Brasília sobre o nome, algo que é comum nesse tipo de situação.

A Casa Branca não conta com um embaixador no Brasil desde a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, quando a diplomata Elizabeth Bagley foi chamada de volta ao país. Desde então, a função tem sido desempenhada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.

O jornalista João Paulo Charleaux, colunista do UOL, divulgou que um embaixador brasileiro com quem conversou, sob condição de anonimato, declarou que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão "trincadas".

"Há uma escalada em curso, na qual um episódio negativo vai engrenando outro. [...] Tudo está muito contaminado agora por um processo eleitoral no qual o apelo ao nacionalismo brasileiro entrou na agenda da campanha."

A decisão de revogar o visto de Ribeiro Viotti também levou em consideração incidentes diplomáticos anteriores entre os países, como a recusa do Itamaraty em conceder visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA, que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

O governo americano negou que a missão tivesse a intenção de interferir nas eleições e afirmou que a viagem abordaria temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, em diálogo com autoridades e representantes da sociedade civil.


Por Sputinik Brasil